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Estado de Minas MAIS UMA CRISE ESTOURA NAS MÃOS DE TEMER

Torquato Jardim acusa a cúpula de segurança do Rio de associação com o tráfico

Declarações do ministro da Justiça caem como uma bomba em Brasília. Rodrigo Maia critica silêncio do governo


postado em 02/11/2017 00:12 / atualizado em 02/11/2017 08:17

Homens do Exército fazem patrulhamento na Favela da Rocinha: crise na segurança pública do Rio mobiliza tropas da Força Nacional(foto: Carl de Souza/AFP - 25/9/17)
Homens do Exército fazem patrulhamento na Favela da Rocinha: crise na segurança pública do Rio mobiliza tropas da Força Nacional (foto: Carl de Souza/AFP - 25/9/17)

Brasília e Rio -
O clima de tensão desencadeado pelas graves acusações feitas pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, contra a cúpula de Segurança Pública do Rio de Janeiro, era tudo que o presidente Michel Temer menos queria depois de conseguir se livrar da segunda denúncia contra ele. As falas do ministro, além de acabar no Supremo Tribunal Federal (STF), repercutiram na Câmara dos Deputados e no primeiro escalão do próprio Planalto. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que é do Rio e com quem Temer tenta resgatar as boas relações que tinha no início do seu governo, disse que está “perplexo” e aguarda “provas” de Torquato. Maia declarou, inclusive, que “o silêncio do governo (federal) vai aprofundar muito a crise na área de segurança no Rio”. Até o fim do dia, esperava-se um posicionamento de Temer sobre as declarações de Torquato, o que não ocorreu. Nos bastidores, rumores era de uma possível exoneração do ministro da Justiça, caso o desgaste seja irreversível.

O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, que,  assim como Maia, é do Rio, criticou Torquato em troca de mensagens no WhatsApp com deputados federais do estado. Segundo ele, se o ministro da Justiça tem alguma prova do que disse, deveria determinar à Polícia Federal a abertura imediata de inquérito sobre os fatos. “Do contrário, é fanfarronice ou prevaricação”, escreveu Picciani, segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo.

"Todo mundo sabe que o comando da PM no Rio é acertado com deputado estadual e o crime organizado. Comandantes de batalhão são sócios do crime no estado" - "Fiz uma crítica institucional pessoal. Mas se estou errado, que me provem" - Torquato Jardim, ministro da Justiça (foto: Neto Talmeli/Flickr- 24/8/17)

Na terça-feira, em entrevista, o ministro acusou políticos e comandantes de batalhão de serem sócios do crime organizado no Rio. Também afirmou que o governador fluminense, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e o secretário de Segurança Pública do estado, Roberto Sá, não têm controle sobre a Polícia Militar. Torquato disse ainda que o comando da PM decorre de “acerto com deputado estadual e o crime organizado”. Em meio ao turbilhão que causou, nesta quarta, desta vez em entrevista ao jornal O Globo, voltou a criticar a segurança estadual dizendo que “voltamos à Tropa de Elite 1 e 2”. Disse também que já esperava esse tipo de reação. “São normais.”

“Fiquei perplexo esperando recuo do ministro. Em vez disso, ele deu uma longa entrevista ao jornal O Globo reafirmando suas acusações – graves e relevantes. O que esperamos, quando o ministro da Justiça, responsável pela área de segurança pública, dá uma declaração dessas, é que ele apresente as provas”, afirmou Maia. Na entrevista, Torquato desafiou as autoridades fluminenses a provarem que ele está errado sobre as conexões de comandantes da PM do Rio e o crime organizado.

"Fiquei perplexo. O que esperamos, quando o ministro da Justiça, responsável pela área de segurança pública, dá uma declaração dessas, é que ele apresente as provas" - Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados (foto: Evaristo Sá/AFP)

“Parece uma inversão de valores. Ou duas coisas: uma empolgação juvenil – que não cabe pela experiência, idade dele – ou uma vontade não proposital inclusive de ajudar os bandidos – que foi o que basicamente ele fez dando informações do governo”, afirmou o presidente da Câmara.

Maia chamou a manifestação do ministro de “atitude infantil e irresponsável” e disse esperar posição oficial do Planalto. “Espero que o governo aproveite o feriado para tomar uma posição oficial sobre o assunto.” “Esperamos que o tema fique esclarecido, que o que o ministro disse tenha provas. Ele é o homem mais importante na área de segurança pública no Brasil, depois do presidente, e esperamos não precisar convocá-lo no plenário da Câmara. Não em comissão, plenário, porque o tema é muito grave”, afirmou o presidente da Câmara.

INTERPELAÇÃO

"O ministro da Justiça comanda a Polícia Federal. Se ele tem indícios ou elementos de prova a sustentar o que diz, deve, então, determinar a abertura imediata de um inquérito. Do contrário, é fanfarronice ou prevaricação" - Leonardo Picciani, ministro do Esporte (foto: Andressa Anholete/AFP - 18/5/16)

Pezão anunciou nesta quarta-feira que entrou no Supremo com uma interpelação judicial contra o ministro para que Torquato “informe o que ele tem contra a cúpula (da polícia) e os policiais”. A interpelação judicial é usada para casos, referências, alusões ou frases, em que se infere calúnia, difamação ou injúria. Quem se julga ofendido, pode pedir explicações em juízo. Quem se recusa a responder, ou não se justifica, pode responder por ofensa.

Ainda na terça-feira, o governador rebateu as acusações em nota. “O governador Luiz Fernando Pezão afirma que o governo do estado e o comando da polícia não negociam com criminosos”, diz o texto. Pezão destacou também que “as escolhas de comandos de batalhões e delegacias fluminenses são decisões técnicas e que jamais recebeu pedidos de deputados para tais cargos”. Torquato afirmou que a solução para o problema do Rio só virá em 2019, quando haverá outro presidente e outro governador.

REUNIÃO EMERGENCIAL

Na tarde desta quarta-feira, o governo do Rio convocou oficiais para uma reunião de emergência no Palácio Guanabara, sede do poder executivo estadual, para discutir as declarações do ministro. Após o encontro, o secretário Roberto Sá, revelou que Pezão manifestou solidariedade à cúpula da PM e a cada integrante da instituição.

"É dever funcional do interpelado (Torquato) comprovar a partir de documentos oficiais todos os fatos que afirmou conhecer" - Luiz Fernando Pezão, governador do Rio, na interpelação ao ministro da Justiça (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil - 28/7/17)

Sobre a escolha de Wolney Dias, um coronel já reformado, para comandar a PM, Sá declarou que o nome do oficial foi uma indicação sua, aceita ppelo governador devido à conduta irreparável de Dias e à experiência acumulada em mais de 30 anos de carreira, tendo ocupado diversos cargos na cúpula da corporação.

Logo depois, Dias complementou a fala do secretário repetindo que comanda uma “legião de heróis” que “tingem o solo do estado de sangue”. O comandante acrescentou que também é signatário da interpelação judicial que exige explicações do ministro.

 

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