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Estado de Minas

Depois do mensalão e do petrolão, PT é um partido em mutação


postado em 02/10/2016 06:00 / atualizado em 02/10/2016 07:59

Estratégia de Lula, maior líder do PT, de caminhar o Brasil durante a campanha parece não ter surtido efeito (foto: Filipe Araújo/Divulgação)
Estratégia de Lula, maior líder do PT, de caminhar o Brasil durante a campanha parece não ter surtido efeito (foto: Filipe Araújo/Divulgação)

“Se chegarmos à final em São Paulo, Porto Alegre, Recife e Fortaleza e, de quebra, levarmos a Prefeitura de Rio Branco, no Acre, vamos mostrar que não estamos mortos”, diz o ex-líder do PT na Câmara deputado Paulo Teixeira (SP). Depois de tantas baixas, entre réus, condenados e presos – incluindo três ex-tesoureiros e dois ex-presidentes da agremiação –, os petistas querem provar que o partido não se resume a mensalão e petrolão. Tampouco está fechado ao discurso da perseguição política.

Essa tentativa de apresentar um partido diferente daquele marcado pelas chagas do mensalão e do petrolão esteve presente em várias campanhas espalhadas pelo país, em candidatos que dispensaram a rendição à narrativa de um partido “perseguido” pelo “justiceiro” Sérgio Moro. Em cidades médias, como São José do Rio Preto, numa das regiões mais ricas de São Paulo, o candidato João Paulo Rillo passou esse primeiro turno eleitoral multicolorido, “desestrelado”. Seu discurso, voltado aos problemas locais, sempre que esbarrava no tema corrupção vinha com a frase: “Quem errou tem que pagar, seja vermelho, seja azul”.

Apesar de o PT querer virar a página dos escândalos, as denúncias envolvendo seu maior líder insistem em manter essa série de descaminhos do partido em aberto. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva andou boa parte do Brasil nesse primeiro turno como forma de fazer a própria defesa nos palanques. E, se as urnas confirmarem as pesquisas, as andanças pouco ou quase nada adiantaram, uma vez que nenhum dos candidatos que ele visitou disparou na preferência do eleitorado. Para muitos, o período em que Lula fazia diferença nas eleições passou. Se as pesquisas estiverem corretas, o PT dificilmente sobreviverá nas quatro cidades mencionadas por Paulo Teixeira acima. Mas, ainda assim, não estará morto. Resta saber se terá capacidade de renovar líderes depois que quase toda a cúpula amargar as celas de Curitiba.

As dificuldades do PT, entretanto, não se resumem aos problemas éticos, de desvio de conduta. Há também a falta de uma base forte. O partido, que nasceu na década de 1980 na esfera sindical, com um discurso voltado aos trabalhadores, foi pulando de narrativa ao longo da história e ascensão ao poder. “O PT vive um momento sério por causa das raízes fracas do partido”, diz o cientista político Murillo de Aragão. Ele considera que o PT, enquanto legenda defensora dos trabalhadores, não existe mais. “O primeiro desafio agora será um discurso. Aquele da ética, que marcou o PT no passado, se perdeu depois de tantas prisões e condenações”, afirma.

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