Publicidade

Estado de Minas FOGO CRUZADO

Segundo colocado é alvo na reta final da disputa pela prefeitura de BH

Tom das críticas ao segundo colocado nas pesquisas aumenta. Todos querem tentar chegar ao segundo turno na eleição marcada para o próximo domingo


postado em 25/09/2016 07:00 / atualizado em 25/09/2016 20:49

Comando do Executivo da capital mineira é disputado por 11 candidatos(foto: Euler Júnior/EM/D.A PRESS )
Comando do Executivo da capital mineira é disputado por 11 candidatos (foto: Euler Júnior/EM/D.A PRESS )

Em eleição marcada pelo grande número de candidatos – são 11 nomes –, a reta final da campanha daqueles que querem chegar à Prefeitura de Belo Horizonte será marcada por uma briga acirrada. Líder em todas as pesquisas de intenção de votos já divulgadas, o deputado estadual João Leite (PSDB) colocará em jogo todas as armas para tentar liquidar a disputa ainda no primeiro turno. Enquanto isso, seus adversários se engalfinham para chegar ao segundo turno. A estratégia mais comum tem sido tentar derrubar o segundo colocado, o ex-presidente do Clube Atlético Mineiro Alexandre Kalil (PHS), bem à frente dos demais pelas mesmas pesquisas.


Nos últimos dias, Kalil tornou-se alvo de ataques por onde vai: seja na televisão, em debates promovidos por instituições de ensino ou empresariais ou na internet. Contra o ex-cartola os adversários tentam colar a imagem de caloteiro, já que ele mesmo reconheceu uma dívida de R$ 100 mil com o IPTU. Ele também foi condenado pela Justiça por apropriação indébita previdenciária. Isso porque ele recolhia a contribuição dos empregados da Erkal Engenharia, empresa da qual é sócio, mas não a repassava ao INSS. Kalil recorre da decisão. Até mesmo o “jeito Kalil de ser” tem sido questionado pelos demais candidatos, que em várias ocasiões já o chamaram de destemperado.


Com baixos índices nas pesquisas, o vice-prefeito Délio Malheiros (PSD) aposta que poderá conquistar boa parte dos votos de Alexandre Kalil e com isso terminar o primeiro turno na segunda colocação. “A estratégia da reta final é mostrar para a população o risco que estará correndo com Kalil. Ele é de ultradireita, com um pensamento conservador e sem nenhuma proposta. O foco é tirá-lo do segundo turno”, conta um integrante da campanha de Délio. Na semana passada, o candidato ganhou a adesão – segundo a fonte, espontânea – de torcedores do Cruzeiro. Peças gráficas para serem distribuídas nos jogos trazem o texto “Vamos rebaixar o Kalil de novo”, em alusão ao rebaixamento do Atlético à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, em 2006.


Outro que vai manter críticas a Kalil é o deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT). Em debates na televisão eles protagonizaram brigas acaloradas. “Não sou de fazer ataques, mas disse e repito que o Kalil é uma pessoa de bordões e bravatas e até o presente momento não apresentou nenhuma proposta. É uma pessoa despreparada para assumir o cargo de prefeito de BH”, argumenta o candidato, que planeja intensificar as caminhadas pela cidade – e para isso até cancelou reuniões fechadas – e destinar o tempo de rádio e televisão para apresentar os problemas e propostas para o município.


De forma mais polida, o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB) vem questionando o fato de Kalil dizer que não é político e que não vai prometer nada aos eleitores porque a prefeitura está com o caixa no vermelho. Suas mensagens serão ainda para atrair os votos dos indecisos e daqueles que rejeitam os dois primeiros colocados nas pesquisas: João Leite e Kalil. A estratégia para a última semana de campanha inclui ainda a veiculação na propaganda de rádio e televisão de depoimentos do presidente da Assembleia, Adalclever Lopes, do secretário de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz, e do deputado estadual Cabo Júlio. “Nossa toada não muda. Acredito que alguns vão colocar os dois pés no peito, mas, da parte do Rodrigo, quero crer que o tom será mantido mais propositivo do que provocativo”, afirmou.


Por enquanto, o empresário atleticano está jogando na defesa. Kalil, porém, já armou seus atacantes para entrar em campo. “Nossa principal preocupação é responder aos ataques sem descer o nível. Mas se necessário, também vamos atacar. E eles deveriam ter medo da gente atacando, porque a vida deles é muito mais obscura”, avisa um dos aliados do candidato. Em caso de “emergência”, a fonte diz que já tem prontas denúncias que podem “destruir a carreira” de pelo menos três de seus adversários. Enquanto isso, os planos são usar os 26 segundos da propaganda eleitoral para mostrar as falhas da atual gestão e intensificar as agendas pelas ruas de BH.


VOTO ÚTIL

João Leite (PSDB) vai se valer da vantagem sobre os demais concorrentes para tentar ganhar o voto útil. Também vai apostar muito na sua participação nos três últimos debates – hoje na Rede Record, terça-feira na TV Alterosa e quinta-feira na Globo. Os dois principais nomes do PSDB no estado, os senadores e ex-governadores Aécio Neves e Antônio Anastasia, devem participar de pelo menos um ato de campanha. A estratégia da campanha para os últimos programas de rádio e TV é passar a ideia de que ele pode até mesmo vencer em um único turno. “Vamos tentar puxar o voto útil”, afirmou um integrante da campanha. Nas ruas, serão priorizadas caminhadas e carreatas.


Para tentar subir na preferência do eleitorado, Reginaldo Lopes (PT) dedicará a última semana a caravanas pelas nove regionais da capital ao lado do ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e ex-prefeito Patrus Ananias. E ainda espera contar com a vinda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) a Belo Horizonte para um ato público. “Como acreditamos que ele ainda é muito desconhecido, vamos enfatizar o currículo dele nos últimos programas”, diz um aliado do petista.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade