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Estado de Minas

Demitido, presidente da Funasa acusa retaliação do governo ao PMDB

Dirigente da instituição diz que sua exoneração do cargo é represália ao partido, que decidirá na semana que vem se vai se distanciar da presidente e apoiar o impeachment


postado em 25/03/2016 06:00 / atualizado em 25/03/2016 07:36

"Minha saída é uma retaliação ao PMDB e não ao Michel Temer, pois a Funasa era um cargo do partido", disse (foto: Edmar Chaperman/Funasa)

O presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Antônio Henrique Carvalho Pires, foi exonerado nessa quinta-feira do cargo pelo governo federal. Indicado para a instituição pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), de quem é muito próximo, Henrique Pires disse ter deixado o posto por não aceitar trocar alguns de seus principais assessores para abrir espaço para indicações do PTN e PMB, partidos que têm votos na comissão do impeachment. Ele alegou que nem o ministro da Saúde, Marcelo Castro, foi comunicado de sua saída. “A minha saída é uma retaliação ao PMDB e não ao Temer (Michel Temer), pois a Funasa era um cargo do partido. Nem o ministro Marcelo Castro (da Saúde) foi avisado. Soube da minha exoneração ontem por telefonema do Palácio do Planalto. Não foi surpresa, pois já tinha colocado à disposição meu nome. Não podia continuar, devido às mudanças que estavam ocorrendo sem minha autorização”, disse Henrique Pires”, em entrevista ao portal Cidadeverde.com, do Piauí, sua terra natal.

Henrique Pires, como é conhecido, estava no cargo desde 22 de abril de 2014, quando foi nomeado pelo então ministro da Saúde, Arthur Chioro. No lugar dele, assumirá interinamente o atual diretor administrativo da Funasa, Marcio Endles Lima Vale, indicado pelo PTN. Sua saída da pasta ocorre a poucos dias da reunião do diretório nacional do PMDB, marcada para terça-feira, que vai definir se permanece ou não no governo Dilma Rousseff. A permanência do PMDB como aliado do Planalto é considerada fundamental para tentar barrar o processo de impeachment no Congresso. O partido tem sete ministérios e é a maior bancada na Câmara e no Senado.

Na quarta-feira, Dilma reuniu os ministros no Palácio do Planalto para fazer um apelo pela permanência do partido no governo, mas a resistência é grande. Um dia antes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o ex-senador José Sarney (PMDB-AP) para uma conversa reservada na tentativa de manter o apoio da legenda. Mas de acordo com levantamentos divulgados pelos peemedebistas defensores do desembarque do governo, dos 127 integrantes do diretório com direito a voto na reunião que vai definir o rumo do partido, pelo menos 75 já seriam a favor do rompimento com o Planalto.

Pires disse que há cerca de um mês o ministro Marcelo Castro pediu que ele fizesse as trocas. Nesta semana, ele afirma ter sido procurado novamente, com o mesmo pedido, desta vez por Giles Azevedo, assessor especial da presidente. A Funasa é subordinada ao Ministério da Saúde. “Na terça-feira, fui chamado ao Palácio mais uma vez e disse: ‘Olhe, vamos aproveitar este ponto de não concordância e vocês já trocam o presidente também’”, disse Pires.  O ex-presidente da Funasa afirmou ainda que as alterações eram para atender ao PTN, que, nos últimos 30 dias – com a janela da infidelidade partidária – passou de quatro para 13 deputados, e o PMB, que só tem um parlamentar, o ex-petista Welinton Prado (MG), integrante da comissão do impeachment.

INSISTÊNCIA “Há mais de um mês, o governo vinha insistindo para que a gente trocasse algumas coordenações-gerais, como financeira, de contratos, para poder atender a outro partido. Dizia que não tem condições, que o presidente sou eu, o CPF é o meu. Então, não tinha como fazer as mudanças. Que arrumassem pelo menos servidores públicos e não pessoas que nunca exerceram o serviço público para atender partideco A ou B”, disse Pires.  O ex-dirigente disse ainda que não foi a primeira vez que pediram a ele para fazer trocas com viés político. “Houve mudanças drásticas no ano passado. Tiraram duas diretorias do PMDB para atender ao PT e PTdoB”, afirmou.

Para o deputado federal Saraiva Felipe (PMDB-MG), que chegou a ser cotado para o comando do Ministério da Saúde no lugar de Marcelo Castro e que já chegou a ocupar a pasta durante o governo Lula, a saída de Henrique Pires é natural, pois ele foi indicado por Temer e não poderia permanecer no cargo com a decisão do partido de deixar o governo. Para ele, a saída do partido do governo é quase certa. A reunião do diretório nacional do partido vai ser presidida por Temer, que anunciou o cancelamento de sua viagem a Portugal na segunda-feira, onde participaria de seminário organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, entidade comandada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, um dos maiores opositores ao governo dentro da corte. (Com agências)


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