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Estado de Minas

Triplex que pertenceu a Lula é alvo da Lava-Jato

Ministério Público investiga apartamentos de condomínio no Guarujá, no litoral de São Paulo, que seriam usados em esquema para enviar ao exterior dinheiro desviado da Petrobras


postado em 28/01/2016 06:00 / atualizado em 28/01/2016 07:16

Um dos imóveis teria sido reformado pela construtora OAS a pedido da ex-primeira-dama Marisa Letícia (foto: Google/reprodução da internet)
Um dos imóveis teria sido reformado pela construtora OAS a pedido da ex-primeira-dama Marisa Letícia (foto: Google/reprodução da internet)

As investigações da Operação Lava-Jato completaram nessa quarta-feira (27)  a sua 22ª fase que tem como alvo o Edifício Solaris, onde fica o triplex da construtora OAS que pertenceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula a Silva, no Guarujá, litoral de São Paulo. A obra era conduzida pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), que foi presidida pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, também preso pela força-tarefa. A cooperativa ficou insolvente e as obras foram concluídas pela construtora OAS, acusada de pertencer ao cartel de empresas que abocanharam contratos superfaturados da Petrobras. Entre os 11 apartamentos do condomínio onde as investigações devem ser aprofundadas, está o 164 A, que segue em nome da OAS, mas teria sido reservado a Lula, tendo, inclusive, sido reformado a pedido da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Isso reforça a suspeita de que, na verdade, o alvo é o ex-presidente petista.

Nesta nova etapa, chamada de Triplo X, foram cumpridos 23 mandados: seis de prisão temporária, 15 de busca e apreensão e dois de condução coercitiva. Uma publicitária foi presa, além de pessoas que seriam usadas como laranjas e pequenos operadores no esquema. Os mandados foram cumpridos nas cidades de São Paulo, Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP) e em Joaçaba (SC), com participação de 80 policiais. Estão sendo apurados os crimes de corrupção, fraude, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

De acordo com o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação Lava-Jato, “todos os apartamentos” do Condomínio´Solaris, no Guarujá, são alvos da investigação sobre o esquema de offshores criadas para remessas ao exterior de propinas relacionadas às fraudes na Petrobras. “A investigação tem um pé na busca de patrimônio oculto. Entendemos que todos os apartamentos devem ser investigados. Não estamos focando somente no apartamento de Nelci Warken – dona da Paulista Plus Promoções, acusada de fazer parte do esquema de lavagem de dinheiro – ou, eventualmente, alguns envolvendo familiares do ex-tesoureiro Vaccari.”

Sobre o possível envolvimento de Lula, Carlos Lima, se esquivou. “Investigamos fatos. Se houver apartamento lá que esteja em seu nome (Lula) ou negociados com alguém da sua família, como todos os outros será investigado. Temos indicativos do uso desses apartamento para a lavagem de dinheiro”, afirmou. E foi ainda mais evasivo ao declarar que, “neste momento”, a apuração aponta para imóveis que seriam de propriedade de familiares do petista Vaccari.  “O empreendimento originariamente era da Bancoop e foi assumido pela OAS. Temos indicativos que todos os apartamentos, ou boa parte deles, podem ter sido usados para lavagem de dinheiro oriundo de contrato com estatais. Estamos analisando e aprofundando a investigação”, concluiu.


Além de Nelci Warken, que já prestou serviços na área de mar- keting para a Bancoop – a suspeita é de que ela tenha ligação com a offshore – foram presos Ricardo Onório Neto e Renata Pereira Brito. Os três já foram levados para a Superintendência da PF, em Curitiba. Eliana Pinheiro de Freitas e Rodrigo Andres Uesta Hernandez foram conduzidos coercitivamente à sede da PF, em São Paulo, onde prestariam depoimento. Luiz Fernando Hernandez Ribeiro não foi localizado. Dois que têm mandados de prisão estão no exterior: Maria Mercedez Quijano e Ademir Auada.

Dilma critica insinuações em vazamentos

A presidente Dilma Rousseff saiu em defesa nessa quarta-feira (27) de Lula ao dizer que não há provas contra seu correligionário. Criticou também as “insinuações” contidas nos vazamentos da investigação. Dilma ficou irritada quando foi questionada se a Lava-Jato estava se aproximando de Lula e disse que, “ao contrário do mundo medieval”, o ônus da prova cabe a quem acusa. Sem esconder sua insatisfação, afirmou. “Eu me recuso a responder pergunta desse tipo, porque se levantam acusações, insinuações e não me dizem por que, quando, como, onde e a troco do quê”, disse ela em Quito (Equador), logo após discursar em um encontro com chefes de Estado e de governo que participam da 4ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classificou de “especulações indevidas” as análises de que a fase Triplo X da Operação Lava-Jato mira o ex-presidente. Ele ressaltou que o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações em Curitiba, já afirmou que não há qualquer procedimento em relação a Lula. “Até onde sei, essa investigação está sob sigilo. Apenas posso dizer de situações que são públicas. O ex-presidente não está sendo investigado e nem me parece que tenha sido determinada qualquer medida na investigação de hoje (nessa quarta-feira). Quaisquer outras situações são especulações indevidas”, afirmou Cardozo.

Outro lado

Por meio de nota, o Instituto Lula informou que o ex-presidente e sua mulher, Marisa, “jamais ocultaram que esta possui cota de um empreendimento em Guarujá, adquirida da extinta Bancoop e que foi declarada à Receita. Por sua vez, a Bancoop, disse que a transferência da conclusão das obras para outras empresas foi uma decisão dos cooperados adotada em assembleia em 27 de outubro de 2009. “O empreendimento foi transferido à construtora OAS Empreendimentos. Esse acordo específico de transferência foi homologado pelo Poder Judiciário em 11 de novembro de 2009 (processo nº 1.190/2009, do Setor de Conciliação do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo)”.

 

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