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Estado de Minas O BIG BROTHER DA POLÍTICA

ONG prepara reality em que equipes vão disputar provas para elaborar projeto de lei

Resultado será apresentado ao Congresso Nacional e participantes vão concorrer a livros, cursos e viagens ao exterior


postado em 12/07/2015 07:00 / atualizado em 12/07/2015 07:38

O Brasil está prestes a conhecer um novo formato de reality show em que o debate político, que geralmente passa longe do dia a dia de competidores monitorados por telespectadores, será a estrela principal. Desta vez, a proposta é reunir pessoas comuns de diferentes perfis e regiões para disputar provas que levarão à elaboração de um projeto de lei de iniciativa popular para ser apresentado ao Congresso Nacional. Batizado de Ipop Brasil, o reality tem a duração de três meses e será exibido pela internet com a interação dos usuários da plataforma virtual. O site já está no ar para a primeira fase, que consiste na escolha de um tema e na captação de patrocínio. O grupo espera conseguir cerca de R$ 520 mil – já foram captados 30% disso – para viabilizar o projeto.

Por enquanto, os internautas devem votar em um dos 17 temas colocados no site www.ipopbrasil.org. Por ora, a reforma política está na frente. Depois de escolhido o assunto, os interessados mandarão vídeos expondo suas ideias sobre a pauta e serão selecionados 20 participantes para compor cinco equipes com quatro pessoas. Os eleitos serão aqueles cujos vídeos tiverem mais visualizações na rede. A cada semana, eles terão reuniões, encontros com o corpo de jurados, palestras e tarefas, como visitar regiões para fazer pesquisa de campo sobre o tema que trabalham. Tudo isso filmado e exibido ao público. Aberta a votação, os últimos colocados serão eliminados.

“A ideia é acionar a democracia participativa, divulgar informações sobre a lei de iniciativa popular para ativar esse mecanismo, que é complicado de usar e precisa de um grande número de assinaturas”, afirmou a jornalista e socióloga idealizadora do projeto, Isabelle Anchieta. De acordo com ela, o projeto nasceu para tentar dar um destino prático às demandas dos movimentos contemporâneos de protesto, que foram às ruas com várias questões mas não deram continuidade aos temas.

Segundo Isabelle Anchieta, o restante da captação de recursos está ocorrendo por crowdfunding, uma espécie de financiamento coletivo, e já houve contato de emissoras de televisão aberta querendo transmitir o reality. O grupo não aceita doações de empresas. A expectativa é fechar o orçamento e iniciar a seleção dos participantes em cerca de um mês.

Remuneração


O formato será mais ao estilo O aprendiz. Os participantes não ficam confinados, vão para um hotel em Belo Horizonte, onde terão a hospedagem e a alimentação pagas pela organização. Eles serão remunerados com R$ 3 mil por mês e concorrerão a duas viagens ao exterior com tudo pago – uma para um país exemplar no tema escolhido e uma no sentido oposto – um curso de especialização e 50 livros, além convidados a integrar a ONG Iniciativa Pop Brasil. O internauta que mais interagir será convidado a integrar as equipes no final. O júri será formado pelo juiz Márlon Reis, do Movimento de Combate ao Crime Eleitoral (MCCE), o coordenador das promotorias eleitorais de Minas Gerais, Edson Resende, o cientista político Leonardo Avritzer, a doutoranda em ciência política Izabela Corrêa, e a cocriadora do reality, doutora em sociologia Isabelle Anchieta.

Desafios


A socióloga explica que a cada semana os participantes terão um desafio diferente e tudo será gravado e mostrado aos internautas. “O primeiro desafio é o consenso. Eles vão ter de montar um projeto único por equipe. Depois vão conhecer realidades de perto, viajar pelo Brasil, fazer estudos de caso e as propostas vão amadurecendo”, disse. Os dois grupos que forem para a final terão de correr atrás de assinaturas em diferentes estados para possibilitar a apresentação do texto ao Congresso Nacional. Caso se confirme a proposta aprovada pela Câmara, serão necessárias 500 mil adesões. Quem conseguir mais vence e, quem sabe, pode ver seu projeto de lei encampado pelos parlamentares.

Memória

Ficha Limpa


O último projeto de iniciativa popular aprovado pelo Congresso Nacional foi a Lei da Ficha Limpa, que proibiu os condenados por órgãos colegiados de concorrerem a cargos eletivos. A pressão popular e mais de 1,3 milhão de assinaturas garantiram a aprovação e sanção da Lei Complementar 135/2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Somente na eleição do ano passado, mais de 250 nomes foram barrados por esta regra. Atualmente, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que fez a mobilização pela Ficha Limpa, recolhe assinaturas para entregar um projeto de reforma política popular à Câmara dos Deputados.

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