Publicidade

Estado de Minas

Escândalo de denúncias de ex-diretor da Petrobras pauta campanha em MG

Tucano diz que delação de Costa atinge coração do PT. Pimentel minimiza acusação


postado em 07/09/2014 00:12 / atualizado em 07/09/2014 07:38

Flávia Ayer

Um dia depois de vir à tona o depoimento de delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MRF) – em que denuncia o envolvimento de pelo menos 61 parlamentares, seis governadores e um ministro num esquema de propina na empresa –, o escândalo nacional pautou ontem o tom dos discursos dos candidatos ao governo de Minas. Se, de um lado, o tucano Pimenta da Veiga classificou o episódio como “o fato mais estarrecedor de corrupção pública no país”, do outro, o petista Fernando Pimentel tratou de minimizar o escândalo e disse que “não significa nada”, enquanto não houver processo judicial que mostre a participação dos nomes citados por Costa.

Em depoimentos prestados aos procuradores do MPF em Curitiba, onde está preso, e a policiais federais, iniciados em 29 de agosto, quando assinou um acordo da delação premiada, o ex-diretor da Petrobras citou a participação de pelo menos 49 deputados e 12 senadores , seis governadores e um ministro que estariam no esquema de lavagem de dinheiro, envolvendo PMDB, PT e PP.

Pimenta da Veiga acredita na repercussão do fato nas eleições e cobra apuração profunda do caso. “Não é possível discutir a continuação de um sistema de governo que cometeu atos como esse, que envolve ministro, a base de apoio do governo, o núcleo do PT. E não é a primeira vez. Para o mais desavisado analista político, isso vai provocar uma grande repercussão nas eleições”, afirmou, em visita às Olimpíadas do Conhecimento, competição entre estudantes do Senai e Senac encerrada ontem no Expominas, no Bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte.

Peso  Apesar de ressaltar a repercussão nas campanhas, Pimenta evitou falar sobre o peso que a notícia terá no pleito em Minas. “Não posso medir isso, mas bate no coração do PT, porque corrobora todas as coisas que dizíamos e denunciávamos na Petrobras”, disse Pimenta, para quem o escândalo é um mensalão “muito mais forte que o anterior”. Atrás do petista Fernando Pimentel na corrida eleitoral pelo Palácio Tiradentes, ele já tem se valido do escândalo em sua campanha e falou sobre o assunto na sua página do Facebook.

Já Pimentel preferiu tratar o caso com mais cautela. “Até agora, são só vazamentos de uma suposta delação premiada. Até que haja alguém responsável por essa informação e que ela seja incorporada a um processo judicial, isso não significa nada”, ressaltou, durante visita ao aglomerado Morro das Pedras, na Região Oeste de Belo Horizonte. “A chamada delação premiada é um instrumento muito perigoso. Não sabemos em que circunstâncias esses depoimentos foram colhidos”, completou.

Segundo Pimentel, enquanto o Ministério Público e a Justiça não assumirem a responsabilidade pelos nomes citados e  isso fizer parte oficialmente da delação de Costa, “não significa nada”. Ele também fez questão de se desvincular do escândalo. “A minha campanha não tem problema nenhum com isso”, disse.


Publicidade