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Estado de Minas

Candidatos apostam em ritmos variados para atrair atenção do eleitor

Com salada de ritmos, candidatos exploram pontos parecidos, como humildade e esperança


postado em 25/08/2014 00:12 / atualizado em 25/08/2014 07:53

Eles não são artistas, mas vão do samba ao arrocha, do funk ao sertanejo, do pop ao axé. Para atrair a atenção e fazer sua música colar nos ouvidos do eleitor, os candidatos aos vários cargos disputados em outubro apostam em ritmos variados com fórmulas semelhantes. Nos jingles deste ano, fala-se muito em coração, humildade, esperança, decência e trabalho. Todos são gente da gente apresentada pelos cantores de forma simpática como a solução para o país ou seus estados. Alguns apostam em expressões bem-humoradas ou em versões de melodias já conhecidas para ganhar identificação.

É o caso de “taca-lhe pau, Requião veio”. A expressão ficou famosa na internet por causa do vídeo em que um garoto aparece, com sotaque do Sul, incentivando seu primo, que descia a ladeira com um carrinho de rolimã, a acelerar. A música de um grupo curitibano, que mais parece um embalo de rodeio, traz uma voz infantil anunciando que o candidato ao governo do Paraná, senador Roberto Requião (PMDB), vai “tacar o pau” na corrupção. “Lá vem o Requião, descendo o pau na corrupção”, anuncia o locutor mirim durante a música, que segue com o refrão em voz adulta “da-lhe, Requião”.

Poderia ser mais um infortúnio amoroso cantado em letra de forró, mas quando ouve-se “mas tudo bem, não vou chorar, eu vou botar alguém melhor no seu lugar”. A intenção é dizer que o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), fracassou em seu mandato e deve ser sucedido pelo candidato do DEM, Paulo Souto. No jingle, a campanha do ex-governador Paulo Souto, que pretende voltar a ocupar o posto, fala em desilusão para chegar ao refrão “ê ê ê eu quero Paulo Souto”.

Também apostam em xotes melódicos a presidente Dilma Rousseff (PT) e o seu principal adversário na campanha presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB). Em um dos clipes, a petista coloca apenas a letra em verde, vermelho e amarelo: “Dilma, coração valente, força brasileira, garra desta gente”. Há até uma versão com crianças cantarolando que “o que tá bom vai continuar” e o espaço para que quem gostou grave sua versão e mande para ser exibida na página. Já Aécio aparece em uma animação com sua família, à frente do povo, todos em versão boneco. Chamado “cabra bão”, é apresentado como marido da Letícia e pai de três filhos. “Quem tem filho pequeno olha sempre lá na frente”, prega a música, que chama o eleitor a conhecer o “sujeito decente”.

Mais ousado, o bonequinho de Rui Costa, que concorre ao governo da Bahia pelo PT, coloca a mãozinha na testa e dança o arrocha com o número bem grande pregado na camisa. “A esperança no meu peito me dizia que um homem bom viria da periferia pra cuidar do nosso povo, mudar mais nossa Bahia.” Gente do povo e sangue novo são alguns dos adjetivos usados para definir o candidato, também relacionado à humildade. O candidato, que também colocou uma versão boneca de Dilma na gravação, lançou outra com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cantando – com uma voz imitando a do petista – e “arrochando”.

Na ciranda dos ritmos, o carioca Romário, ex-jogador de futebol e agora deputado federal,emplacou um funk do famoso MC Koringa. “A alegria voltou e a galera vibrou, para marcar mais um gol, Romário senador. Uô, uô, uô”, canta o funkeiro. Já o ex-governador do Rio de Janeiro Antony Garotinho (PR) usou um samba-enredo típico dos desfiles de escolas no carnaval carioca para dizer que vai voltar. “Garotinho tá no nosso coração”, prega o samba do “quero quero Garotinho”, que também pede voto para Dilma. Também sambaram no jingle os candidatos no Rio Grande do Norte Henrique Eduardo Alves (PMDB), a governador, e Vilma Faria (PSB), ao Senado. “Para melhorar o estado, meu voto é para os dois, meu voto é bem casado. É Henrique pro governo e é Vilma pro Senado”, junto e misturado, diz o sambinha.

No Pará, o governador tucano Simão Jatene, que tenta ser reeleito, usou o axé para emplacar o jingle entre os eleitores. “Não para não para, não para, não para não para, não para, não pode parar” e “vem com tudo, vai, Jatene eu quero mais”, além do número do candidato, embalam o recado batidas típicas da música baiana. Já em Goiás, capital do sertanejo brasileiro, o ritmo foi o escolhido pelo candidato a governador Íris Rezende (PMDB) para conquistar seu lugar. “Já é hora, mãos dadas, confiança, alegria”, canta a dupla, antes de pedir voto para o peemedebista. “Íris é amor”, repetem, dizendo que o que tem para hoje é esperança.

Em Minas Gerais, o candidato ao governo Fidélis Alcântara (Psol) apostou em uma marchinha tradicional de carnaval: “a gente apresenta numa lista tudo aquilo que acredita para a vida melhorar”. Entre os pontos, o candidato nanico coloca a plataforma ideológica da frente de esquerda socialista “para o povo governar, Fidélis quero lá”.


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