

Segundo dia de campanha, segundo dia de bate-boca. Os candidatos do PT e do PSDB ao Palácio da Liberdade voltaram a trocar farpas nessa segunda-feira 48 horas depois de autorizados pela legislação eleitoral a ir às ruas pedir votos. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) foi ao Café Nice, no Centro de Belo Horizonte. Também ex-prefeito da capital, Pimenta da Veiga (PSDB) fez visita à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG).
No corpo a corpo no Centro, no início da tarde, Pimentel disse que a administração tucana em Minas Gerais – 11 anos e três meses, com Aécio Neves e Antonio Anastasia – foi centralizadora. “Vamos apresentar a Minas um modelo de governo efetivamente participativo e que já foi testado na Prefeitura de BH quando fui prefeito e em outras cidades onde o campo democrático popular governa ou governou”, disse Pimentel, que aproveitou para criticar o PSDB. “É o contrário do que foi feito em Minas nesses últimos 12 anos e do que apresentam as propostas do campo adversário. A proposta dele (Pimenta da Veiga) é um governo centralizado, um governo de gênios querendo mandar num estado que não tem dono. O dono de Minas é o povo mineiro”, disse.
No início da noite, na OAB, Pimenta rebateu a crítica. “Seria bom que o nosso adversário se preocupasse um pouco mais com o próprio trabalho, mas já que insiste nessa colocação, ninguém é mais autoritário, dono da verdade do que os governantes do PT, tanto no nível de alguns estados como no nacional. A arrogância dos governantes do PT é hoje reconhecida por todos, tanto o Lula (o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) quanto a Dilma (a presidente Dilma Rousseff). Querer transferir isso para nós é uma vã tentativa”, afirmou. Pimenta disse que os governos do PSDB sempre foram voltados para a participação popular. “Eu próprio estou rodando o estado debatendo ideias para construir um programa de governo de alta participação popular.”
Apesar da crítica ao tucano, o candidato do PT afirmou que o tom da campanha, iniciada oficialmente nesta semana, não será o de troca de farpas. “Minha agenda é discutir temas relevantes para a população de Minas Gerais, como segurança e educação”, disse. A afirmativa foi em resposta às declarações de Pimenta da Veiga no domingo. O tucano disse que o petista era um perdedor, numa disputa sobre mineiridade. Segundo Pimentel, o programa de governo será apresentado quando a campanha na televisão estiver estruturada.
CENTRO Depois de visitar o Aglomerado da Serra no domingo, Pimentel optou por continuar centrando fogo na capital mineira e foi ontem com correligionários ao tradicional Café Nice, ponto obrigatório de parada de candidatos durante as campanhas políticas. Assim que chegou ao local, Pimentel foi aclamado pelos apoiadores, que cantavam “El, el, el! Dilma e Pimentel”. Entre seus acompanhantes estavam o candidato a vice, Antônio Andrade (PMDB), além do ex-ministro e candidato a deputado federal Patrus Ananias, deputados e vereadores do PT e partidos coligados.
“Estamos privilegiando Belo Horizonte por dois motivos. Primeiro, porque vai ter jogo do Brasil aqui amanhã (hoje) e é natural que fiquemos mais focados nesse grande evento nacional”, disse. Outra razão, segundo ele, é o resgate das ações de Pimentel quando esteve à frente da Prefeitura de BH. “O Centro da cidade para mim é um lugar emocionante. Fizemos o Centro Vivo, recuperamos os quarteirões fechados, o mais importante foi a retirada do comércio ambulante e dos camelôs das ruas”, ressaltou.
Por sua vez, Pimenta, no primeiro dia de campanha, visitou a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena. Na OAB, ontem, o candidato, que é advogado, disse que conversou com o presidente da entidade, Luís Cláudio Chaves, sobre o andamento dos trabalhos da Ordem e a visão do comando em relação ao estado. Pimenta conseguiu também ontem o primeiro direito de resposta depois do início da campanha. O pedido foi deferido pelo juiz Paulo Rogério Abrantes contra o PT, que divulgou na página do partido na internet nota sobre o que teria sido infração à legislação eleitoral pelo tucano.
Parada obrigatória
Inaugurado em 1939, o Café Nice está situado no número 727 da Avenida Afonso Pena, próximo da Praça Sete, Centro de BH. Ponto de encontro de intelectuais e aposentados, o estabelecimento virou parada obrigatória dos candidatos durante as campanhas eleitorais. “Quando eles querem testar a popularidade, eles vêm para cá. Fico honrado com isso”, comenta o proprietário, Renato Caldeira, que, só para a turma do candidato ao governo de Minas Fernando Pimentel (PT), vendeu ontem 40 cafezinhos. Apesar da insistência do dono, a equipe não pediu a nota com o CNPJ. Hoje palco tradicional de campanha, o café tinha no passado outra posição. “Antes, na época do meu pai, os políticos realmente frequentavam o Café Nice e discutiam política aqui”, conta Renato. Entre os clientes fiéis do estabelecimento estavam Pedro Aleixo, Milton Campos, Tancredo Neves e Juscelino Kubitschek.
