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Estado de Minas

Adversários políticos evitam situações constragedoras no enterro de Sérgio Guerra

Políticos de todas as matizes foram à Assembleia Legislativa de Pernambuco para prestar homenagem


postado em 08/03/2014 06:00 / atualizado em 08/03/2014 10:01

Presidenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves estiveram juntos no velório do deputado tucano(foto: MAURO FILHO/FRAME/ESTADAO CONTEUDO)
Presidenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves estiveram juntos no velório do deputado tucano (foto: MAURO FILHO/FRAME/ESTADAO CONTEUDO)

Recife – Tal qual a vida política do deputado federal Sérgio Guerra (PSDB), o velório do corpo dele, nessa sexta-feira, foi permeado de encontros e desencontros. Como previsto, personalidades das mais diversas siglas compareceram à Assembleia Legislativa de Pernambuco para prestar homenagens ao parlamentar, morto na quinta-feira, vítima de infecção pulmonar. Estrategicamente, porém, evitaram situações que pudessem provocar constrangimentos. Dessa forma, poucos “adversários” se cruzaram.

Os primeiros a chegar foram os tucanos paulistas. O atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi ao velório acompanhado do ex-governador e ex-ministro José Serra. Ambos foram curtos nas palavras. “Ele (Sérgio Guerra) tinha essa capacidade de viver com os contrários, estabelecer pontes e manter aberto o canal de diálogo”, comentou Alckmin. “É uma grande perda para a política”, resumiu Serra.

Pouco tempo depois foi a vez de o governador de Pernambuco e presidenciável, Eduardo Campos, ingressar no Legislativo, acompanhado de políticos locais. Eduardo fez questão de esperar a chegada do senador de Minas Gerais pelo PSDB e também pré-candidato à Presidência da República, Aécio Neves. Apesar de adversários, os dois mantêm boas relações e avalisam alianças consistentes nos respectivos estados. O mesmo, porém, não se repetiu em relação a José Serra que, minutos antes da chegada de Aécio, deixou o plenário – onde estava o corpo de Guerra – e foi para a sala da Presidência da Casa. Assim, evitou esbarrar com o correligionário.

Aécio Neves também driblou o assunto nas conversas com jornalistas e políticos. Limitou-se a comentar a relação que mantinha com Sérgio Guerra e destacar que, por causa dele, chegou ao comando da agremiação tucana. “Se sou hoje presidente nacional do PSDB, é pela mão de Sérgio Guerra”, declarou. Na ocasião da disputa, José Serra era o principal adversário. Posteriormente, ele brigou pela presidência do Instituto Teotônio Vilela, mas foi novamente derrotado, e o cargo coube ao deputado federal morto anteontem.

Aécio também não quis comentar se a morte do tucano poderá influenciar na política de alianças em Pernambuco, onde  Guerra havia aproximado o PSDB do PSB. Embora Eduardo Campos e Aécio Neves sempre tenham se esforçado para dialogar, inclusive sobre aliança em um eventual segundo turno, as demais lideranças do partido não se entendiam no estado.

O senador Humberto Costa e o deputado federal João Paulo, ambos do PT, e o pré-candidato ao governo de Pernambuco, senador Armando Monteiro (PTB), chegaram juntos no período da tarde, quando os caciques tucanos e socialistas já tinham ido embora. Ficaram no velório por aproximadamente 20 minutos e cumprimentaram os parentes de Guerra.

O caixão ficou no plenário até as 15h30, quando foi levado para um cemitério na cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, onde o corpo foi cremado.

O deputado federal morreu na quinta-feira, aos 66 anos, após ficar internado 21 dias no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar uma pneumonia. O tucano, que lutava contra um câncer no pulmão, coordenou as campanhas presidenciais de Alckmin, em 2006, e de Serra, em 2010. Na época, o deputado sempre deixou claro aos mais próximos sua predileção por Aécio Neves como candidato à Presidência da República. (Com agências)


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