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Estado de Minas

Protestos calam o plenário da Câmara de BH

No retorno das férias, vereadores encerram sessão depois de ouvir vaias de 70 manifestantes na galeria. Vinte e seis ocuparam novamente a Câmara, dois deles em greve de fome


postado em 02/08/2013 06:00 / atualizado em 02/08/2013 07:22

Ao chegarem à Câmara, jovens escrevem cartazes de protesto. Mais tarde, Iran Barbosa tenta dialogar com manifestantes (foto: Beto Magalhães/EM/D.A press)
Ao chegarem à Câmara, jovens escrevem cartazes de protesto. Mais tarde, Iran Barbosa tenta dialogar com manifestantes (foto: Beto Magalhães/EM/D.A press)

O cenário deixado pelos vereadores de Belo Horizonte no último dia de reunião plenária, há um mês, foi o mesmo encontrado ontem: galeria cheia, vaias e ameaça de ocupação. Diferentemente da sessão de 29 de junho, quando aprovaram a redução de R$ 0,05 nas tarifas de ônibus e rejeitaram a proposta que previa a abertura nas planilhas de custo das empresas de transporte público, os vereadores ontem, para fugir da pressão dos manifestantes, abandonaram o plenário sem votar nenhum dos seis projetos da pauta. Após 30 dias de recesso, eles foram recepcionados por cerca de 70 jovens que participaram da ocupação na Câmara há um mês. Até às 23h de ontem, 26 manifestantes ocupavam novamente a Câmra, dois deles em greve de fome. 

  Depois de 40 minutos de sessão, com direito a bate-boca entre manifestantes e políticos, a reunião – que contava com 38 parlamentares – foi encerrada por falta de quórum. “Não tem condição de trabalhar assim”, justificou a vereadora Elaine Matozinhos (PTB) ao pedir a verificação do número presentes. Apenas 19 registraram presença. Para que a reunião continuasse era necessário que 21 marcassem o ponto.

Os jovens começaram a chegar à Câmara por volta das 13h30. Eles ficaram na portaria principal do Legislativo aguardando a entrada dos vereadores e confeccionando cartazes. Apenas Gilson Reis (PCdoB) e Wellington Magalhães (PTN) passaram por eles, sendo que o último entrou despercebido. Os manifestantes encontraram a Casa bem diferente da que eles deixaram em 7 de julho, dia da desocupação. No lugar dos colchões, do sofá, das rodas de discussão, um vão vazio no saguão com, pelo menos, sete seguranças. A única marca visível da ocupação era cola dos cartazes nas paredes. O jardim da Casa, onde eles chegaram a montar barracas, foi replantado.

“É estranho voltar e ver tudo diferente”, disse Juliana Rocha. “Nós viemos mostrar a eles (vereadores) que o movimento continua vivo e que as pautas não foram atendidas”, acrescentou Andressa de Araújo Moreira. As duas são integrantes da Assembleia Popular Horizontal e da Assembleia Nacional de Estudantes. Entre as pautas de reivindicação do movimento estão a transparência das contas do transporte público e o passe livre.

A reunião começou no horário de sempre, às 15h. Os manifestantes tomaram a galeria e os parlamentares o plenário. Quem presidiu a sessão foi o vice-presidente Wellington Magalhães (PTN). Ele está no lugar do presidente, vereador Léo Burguês (PSDB), que estendeu as férias e só voltará à Casa na segunda-feira. O primeiro bate-boca, que aconteceu entre o vereador Marcelo Álvaro Antônio (PRP) e os jovens, foi motivado pelo protesto vindo da galeria contra a leitura de passagem da Bíblia, prevista no Regimento da Casa. “O estado é laico”, gritavam os manifestantes. “Vocês têm que respeitar”, contra-atacava o parlamentar.

Os vereadores Leonardo Mattos (PV) e Iran Barbosa (PMDB) também tiveram dificuldade de falar em plenário, devido aos gritos de guerra e vaias constantes da galeria. O peemedebista chegou a dizer que estaria pensando em deixar a política. “Eu tenho começado a desistir da política por um motivo muito simples: o político hoje é necessariamente tratado como inimigo”, afirmou. Vários cartazes foram colados na galeria com dizeres como “Bem-vindos à nossa Casa, estamos de olho”.

Ao terminar a sessão, os manifestantes se reuniram para decidir se  continuariam na Câmara. Seis permaneceram na galeria e dois deles decidiram fazer greve de fome. O casal, que se autodenomia Jesus Cristo e Ana Silva, disseram que só comerão depois que o prefeito Marcio Lacerda entregar à Câmara a prestação de contas do ano passado.

Cerca de 20 manifestantes que passaram a maior parte do tempo no saguão, no fim da noite foram autorizados a subir até a galeria, abastecidos com comida e um violão estavam decididso a pasasr a noite na Casa.


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