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Estado de Minas

Marina Silva começa a pedir apoio da população para criação do Rede Sustentabilidade


postado em 24/02/2013 00:12 / atualizado em 24/02/2013 07:50

Adriana Caitano

Brasília – A presidenciável Marina Silva participou ontem do primeiro ato público de coleta de assinaturas de seu novo partido, o Rede Sustentabilidade, na Feira do Guará. Em clima de campanha, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente abraçou e foi fotografada ao lado de eleitores, fez discurso e criticou adversários. A expectativa do grupo é garantir o apoio de mais de 500 mil eleitores de todo o país até junho, três meses antes do prazo estabelecido pela lei eleitoral para que os integrantes da sigla se candidatem em 2014.

A ação de Marina ocorreu na semana em que os outros pré-candidatos à Presidência — Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) — emitiram sinais de que já estão em campanha, antecipando o pleito. A ex-ministra, porém, evita falar sobre o período eleitoral. “Infelizmente, na realidade do Brasil sempre foi assim, mas o eleitor está enfastiado de eleição, é preciso primeiro discutir um projeto de país”, comentou Marina, que nega estar em campanha. “Isso que estamos fazendo faz parte da regra para criar o partido, não tem como ser de outro jeito a não ser pedir o apoio pessoalmente.”

De acordo com os organizadores do evento, o Guará foi escolhido por ter sido a região do Distrito Federal em que, proporcionalmente, Marina teve mais votos em 2010, quando se candidatou à Presidência pelo PV. Ela recebeu o apoio de 19,6 milhões eleitores no país inteiro e venceu na capital federal. A movimentação no local, no entanto, não chegou a empolgar. Com a camiseta do Rede, calça jeans e tênis, a ex-senadora falou para um público que não ultrapassou 50 pessoas. “Se os outros vêm de tubarão, nós viemos com a política das formigas, colhendo apoio de casa em casa”, comentou.

No discurso, Marina Silva demonstrou preocupação com os projetos que tramitam no Congresso que podem limitar e dificultar a criação de partidos, como o que pretende aumentar para 1 milhão o número de assinaturas mínimas para a fundação de uma legenda. Há também uma proposta que pode impedir parlamentares de migrar para legendas criadas após as eleições, levando o fundo partidário e o tempo na propaganda de TV da sigla de origem. “Estão querendo mudar a regra no meio do jogo, para evitar que tenhamos um partido com novas ideias, mas os políticos democratas deste país haverão de se contrapor a esse tiro no pé da democracia”, disse.

 

Petista se negou a assinar

 

No périplo pela Feira do Guará, a ex-senadora encontrou casualmente o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), que passeava com a família. Os dois se cumprimentaram, mas o senador negou-se a assinar a lista de apoio ao partido. Quando uma colaboradora insistiu, a própria Marina Silva vetou: “Melhor não causar constrangimento”. Em seguida, Viana disse torcer para que a legenda da conterrânea dê certo. “Ela é uma companheira histórica, mas tenho meu partido e estou numa posição que não me permite isso (assinar)”, justificou.

Jorge Viana ainda comentou a antecipação da campanha presidencial. “Como governo, temos que tomar cuidado para não cair em uma armadilha, mas a presidente Dilma vai fazer uma agenda nova e o Lula vai fortalecer as bases políticas, então tomara que o Fernando Henrique Cardoso seja convidado a viajar pelo PSDB também, que deve aprender a respeitá-lo”, destacou.

Marina Silva estava acompanhada do deputado federal Reguffe (PDT-DF), a quem convidou para integrar o novo partido. O parlamentar discursou a favor do Rede e da ex-senadora, mas negou que vá filiar-se à legenda de imediato. “Não pretendo deixar o PDT, mas assinei a lista de apoio à criação do Rede e vou ajudar a coletar assinaturas, porque acredito que o Brasil e a Marina merecem”, assegurou. Na relação de fundadores da sigla constam apenas três parlamentares: Domingos Dutra (PT-MA), Walter Feldman (PSDB-SP) e Alfredo Sirkis (PV-RJ).
 


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