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Estado de Minas PENSAR

Primeira leitura: 'Máquina de costurar concreto', de Amanda Ribeiro

Livro da poeta mineira integra coleção inspirada na obra de Henriqueta Lisboa e dedicada à poesia contemporânea brasileira escrita por mulheres


01/07/2022 04:00 - atualizado 30/06/2022 22:25


quarto

o espelho duplica
os pontos de luz do ambiente
clareia
mas não aquece

seus poros suas linhas
de expressão
sua imagem nítida
aos olhos nus
de quem acorda
ao seu lado

se possível

levantar uma casa dentro da casa
como a do cachorro
que fica na varanda de uma maior
às vezes só um pouco maior
não é necessário
que ela seja grande mas
se possível
que dentro dela você levante
uma redoma uma concha um casco
todo seu

máquina de costurar concreto

arrastar sua casa
até a minha
mover ruas casas praças
abrir caminho
arredar postes
pedir passagem e arrastar
sua casa até a minha
remover muros
colar fachadas
janela com janela
de um jeito que as duas se vejam
dentro
os cômodos seu sofá
a minha pilha de roupa suja
nivelar os telhados
construir e aprender
a manusear uma máquina
de costurar concreto

dardos

quando descemos
a assis chateaubriand
você não me deu sua mão

você me deu
seu dedo

um acordo frágil

nota

quando digo cidade digo
aquela em que transito
a zona centro-leste
cheia de casas
tombadas
semáforos sonoros
praças restaurantes
cachorros presos a coleiras
ipês cor-de-rosa
araújos socilas smartfits
feira de orgânicos e marquise
que se desocupam
no início do horário comercial

Amanda Ribeiro
(foto: Reprodução)

Sobre a autora

Amanda Ribeiro nasceu em 1989 em Belo Horizonte. Mestre em Estudos de Linguagens pelo Cefet-MG, é professora, autora de “Livre é abelha” (Impressões de Minas, 2018) e ministra minicursos e oficinas sobre videopoesia. “Máquina de costurar concreto” integra a Biblioteca Madrinha Lua, coleção da Editora Peirópolis inspirada na obra de Henriqueta Lisboa e dedicada à poesia contemporânea brasileira escrita por mulheres. A coordenação é da poeta mineira Ana Elisa Ribeiro. “(O bloco de folhas) é um conjunto de poemas que falavam de amor, principalmente, mas também de ausência, de carência, de começos e fins, de ir e voltar, de ser e estar, de concreto e de pluma, vivo e overlock. Não tive dúvidas de que essa voz lírica faria parte deste conjunto ensolarado e enluarado”, afirma Ana Elisa, no posfácio. Além de “Máquina de costurar concreto”, a coleção lança “Selfie-purpurina”, da gaúcha Fernanda Bastos.

'Máquina de costurar concreto'

“Máquina de costurar concreto”

.Amanda Ribeiro
.Editora Peirópolis
.96 páginas
.R$ 48
.Lançamento sábado (2/7), das 14h às 16h, na Quixote Livraria, Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi, BH.


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