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Estado de Minas LITERATURA

História da crítica de cinema em BH é contada em livro

Obra fala sobre a criação do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) e da Revista de Cinema, que transformaram BH em referência nacional nos anos 1950 e 60.


postado em 13/09/2019 04:00 / atualizado em 12/09/2019 21:20

Cine Metrópole (com o filme Tess, de Roman Polanski, em cartaz em abril de 1981), na esquina das ruas da Bahia e Goiás, no Centro de BH, deu lugar a uma agência bancária (foto: CELSON BIRRO/ARQUIVO EM)
Cine Metrópole (com o filme Tess, de Roman Polanski, em cartaz em abril de 1981), na esquina das ruas da Bahia e Goiás, no Centro de BH, deu lugar a uma agência bancária (foto: CELSON BIRRO/ARQUIVO EM)
As memórias de Carlos Denis Machado (1931-2013), um dos expoentes da geração que colocou Minas Gerais no mapa da crítica de cinema nas décadas de 1950 e 1960, são uma linha do tempo pormenorizada de mais de meio século da sétima arte em Belo Horizonte. As críticas e um artigo inédito, porém inacabado, de Carlos Denis, interrompido pela morte, há seis anos, fazem parte de Minhas memórias do cinema (Editora Ramalhete), organizado pela viúva, Lúcia Helena Monteiro Machado. O lançamento é hoje, das 18h30 às 21h, na Livraria Ouvidor, na Savassi.

Mineiro de Curvelo, Carlos Denis se mudou para Belo Ho- rizonte em 1954, aos 23 anos. Formou-se em direito e foi juiz do Trabalho, mas seu conhecimento e paixões extrapolavam à rotina da profissão escolhida. Foi cronista esportivo e crítico de cinema, fundador e diretor do Teatro Experimental, diretor do balé Klauss Viana e um dos fundadores do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), que era o ponto de encontro da intelectualidade mineira da época.

“Foram anos efervescentes em Belo Horizonte. Tínhamos aqui o que havia de mais moderno no teatro, na crítica de cinema, o balé Klauss Viana, o CEC. Os textos da Revista de Cinema iam além de Minas Gerais. Lembro-me de quando veio a BH um leitor da revista: um rapazola baiano, agitado, ainda muito jovem: era o Glauber Rocha”, conta Lúcia Helena.


Fundado em 1951, o CEC fez história e formou gerações. O primeiro presidente do cineclube foi o crítico e poeta Jacques do Prado Brandão. Ali se reuniam Cyro Siqueira, Fritz Teixeira Sales, Guy de Almeida, Afonso Torres. Era ponto de encontro de intelectuais, frequentado por jornalistas, críticos de cinema e teatro, escritores, atores e estudantes. “Graças a essa geração, aprendemos que o cinema não existe por si só; para melhor entendê-lo e compreender seu alcance há de se ter conhecimento mínimo das outras artes, já que o cinema utiliza todas elas”, escreve Paulo Augusto Gomes, em ‘'Meu amigo Carlos Denis”, em um dos artigos que compõem a abertura do livro.

Lúcia Helena entrou para o CEC em 1956, aos 17 anos, atraída pela paixão pela literatura e pelo cinema. “Assim como em Casablanca todo mundo ia ao Rick’s, em Belo Horizonte, todo mundo ia ao CEC”, escreve a organizadora no texto de abertura do livro. Foi no CEC que Duda conheceu Carlos Denis e começaram uma vida de cinema. O livro reúne críticas publicadas no jornal Última hora, do início dos anos 1960, e na Revista de Cinema, criada por Cyro Siqueira em abril de 1954 – que marcou época, com 25 números de abril de 1954 a dezembro de 1957, além de publicações esporádicas na década de 1960. “O mais importante marco da nossa crítica cinematográfica. Com ela, a crítica mineira ocupou espaço”, escreveu Denis.

UMA VIDA PARA O CINEMA

Maria Lúcia começou a organizar a edição no ano passado, mas o desejo deu partida ao encontrar um texto biográfico do marido que ficou inacabado. Em Minhas memórias do cinema, Carlos Denis lembra as primeiras relações com a sétima arte, no cinema do seu Orestes, na Curvelo dos anos 1930 – nas pequenas cidades no interior, naquela época, o cinema, com suas luzes e cartazes, com atores e atrizes que mais pareciam semideuses, eram a principal diversão. A primeira memória, Buster Keaton: o ator que nunca ri, fez Denis sorrir e se apaixonar pela arte. Dali, partiu para Carlitos, o Gordo e o Magro e todas as fitas que chegavam às matinês.

Seu diretor favorito era John Ford; atriz, Katharine Hepburn. Mas a lista é longa, com Ingmar Bergman, Roberto Rosselini, Eisenstein, Orson Welles, Billy Wilder. Truffaut era seu favorito entre os franceses e, dos modernos, gostava de Clint Eastwood, Woody Allen, Carlos Saura e Pedro Almodóvar. A relação de Denis com o cinema descrito no artigo é um retrato das mudanças e de como o cinema foi consumido ao longo das décadas: as revistas (entre elas Cena Muda e Ci- nearte), os cartazes, as estrelas.

A relação dos cinemas extintos de BH é um dos sabores do texto: o Cine Theatro Brasil, o Roxy (Avenida Augusto de Lima), Cine Glória (Afonso Pena), Cine Floresta. Cine São Luís (Rua Espírito Santo); Cine Leão XIII (Rua Guarani); Cine São Sebastião (Barro Preto); Cine América (Tamoios) – que tinha a peculiaridade de ser dividido entre primeira e segunda classe); Cine Metrópole (Rua da Bahia); Cine Candelária (Praça Raul Soares). No texto, Carlos conta suas experiências nas dezenas de salas da capital, onde levou uma vida de cumplicidade com a sétima arte.

MINHAS MEMÓRIAS DO CINEMA


De Carlos Denis Machado
Organização e seleção:
Lúcia Helena Monteiro Machado 
Editora Ramalhete
R$ 45


(...) a ponto de poder tachar A noutro de Souffle de uma anarquia fílmica, magnificamente bem desenvolvida e ordenada por uma câmara que vê as ditas personagens e por um coração que sente as cenas a serem montadas”

Acossado (jornal Última Hora, 22/3/1962)


‘‘A ternura ‘é o instrumento de que o homem dotado de grande sensibilidade e chamado Vittorio de Sica empunha ao se utilizar do maravilhoso é formidável meio de expressão que constitui o cinema.’’

Milagre em Milão (Revista de Cinema)


“Talvez em Sabrina, o tom irônico não tenha sido cogitado, ainda que alguns vejam no mesmo uma volta ao tipo de comédias antes do cinema americano, de antes da década de 40. Em síntese, Sabrina não nos deu o melhor Wilder”

 Sabrina (Revista de Cinema)


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