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Estado de Minas

Lançamentos


postado em 26/10/2018 05:04


ENSAIO
Pós-verdade, a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news
De Matthew D’Ancona
Faro Editorial
144 páginas
R$ 29,90

O jornalista político britânico Matthew D’Ancona apresenta elementos para uma compreensão da era da pós-verdade. A partir da análise de fatos políticos, que fizeram com que os eleitores ficassem em posições polarizadas, demonstra como a argumentação racional no debate público dá lugar à emoção e à passionalidade. O jornalista coloca a lupa sobre o Brexit, a eleição de Donald Trump, o ceticismo em relação ao aquecimento global, as campanhas contra vacina para demonstrar o fenômeno de queda da credibilidade nas instituições e, consequentemente, o abalo da democracia. Ele aponta para os prejuízos democráticos em cenários em que há perseguição a quem pensa de modo diferente. D’Ancona diagnostica queda de confiança nos meios de comunicação e incapacidade generalizada de se distinguir entre fato e interpretação – terreno fértil para a fabricação dos “fatos alternativos” e fake news, que se alastram como fogo morro acima.


ENSAIO
O progressista de ontem e o do amanhã, desafios da democracia liberal do mundo pós-políticas identitárias
De Mark Lilla
Companhia das Letras
104 páginas
R$ 35,47

Mark Lilla parte da premissa de que o liberalismo americano do século 21 está em crise. Analisa como os progressistas perderam a conexão com o grande público. Aponta que os liberais têm perdido a disputa para a direita americana, por serem incapazes de elaborar uma imagem de como pode ser a vida comum do cidadão americano. A tese central é de que a direita americana conseguiu impor a imagem do que entende por país coeso. Do outro lado, os democratas, ao encampar o liberalismo identitário, não conseguem dialogar além dos grupos que representam – afroamericanos, mulheres, LGBTs. O autor defende que a política americana no século 20 se divide entre as doutrinas Roosevelt e Reagan. A primeira instituiu o consenso de que era preciso que os americanos se protegessem de riscos, dificuldades e ataques aos direitos civis. A segunda é marcada pelo individualismo e se caracteriza pela negação da política.


ENSAIO
Tempo comprado: a crise adiada do capitalismo democrático
De Wolfgan Streeck
Boitempo
240 páginas
R$ 47

Wolfgan Streeck norteia a escrita a partir de duas reflexões: como lidar com a crise financeira e fiscal e a relação entre capitalismo e democracia. O propósito é traçar interligações entre o desenvolvimento do capitalismo e a transformação liberal da democracia. Apresenta a crise global de 2008 como etapa histórica do capitalismo – sequência da inflação dos anos 1970, do endividamento estatal no decênio seguinte e do crescente endividamento privado desde os meados de 1990. Faz a correlação entre a incapacidade do sistema econômico capitalista em lidar com os conflitos distributivos e como isso impacta na qualidade das democracias contemporâneas. Mostra como a arena dos conflitos distributivos se desloca do mercado de trabalho para a política social, chegando ao mercado financeiro privado e à diplomacia financeira internacional.


ENSAIO
Facismo: um alerta
Madeleine Albright
Crítica
304 páginas
R$ 43,37

Primeira mulher a ser Secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright entrou em contato com o fascismo quando sua família teve que fugir da Tchecoslováquia, em 1948, exilando-se na América. A autora faz um resgate histórico de movimentos autoritários, escrutinando o governo de líderes como Benito Mussolini e Adolf Hitler e mostrando suas faces no pós-Guerra Fria. Atenta para as nuances do termo fascismo, muitas vezes usado como sinônimo de totalitarismo, ditadura, despotismo, tirania e autocracia. Estabelece distinções entre fascismo e populismo ao analisar líderes como Donald Trump, Hugo Chávez, Recip Erdogan e Viktor Orbán. Albright sustenta que o século 20 se caracterizou pelo embate entre fascismo e democracia e alerta para os riscos do reaparecimento do fascismo que interdita o debate democrático, em sua recusa ao reconhecimento de pensamentos contrários ao grupo do qual se faz parte e no uso de todos meios, inclusive a violência, para silenciar o outro.


ENSAIO
Como a democracia chega ao fim
De David Runciman
Todavia
272 páginas
R$ 46,40

A democracia é o regime político por excelência do século 20, mesmo tendo sido em diferentes décadas (1930 e 1970) colocada à prova. David Runciman reflete se ela se manterá no século 21. A eleição de Donald Trump impôs a tarefa de investigar o esgotamento desse regime político e o que poderia substitui-lo. O autor não vê o resultado da eleição americana como ponto final da democracia, mas como caso exemplar para se estudar seu comportamento no país mais poderoso do mundo. Advoga que não se pode olhar para o momento atual com as lentes do passado. É preciso formular novas perguntas. Afirma que não se trata de segunda alvorada do fascismo, violência e guerra em escala mundial. Ressalta que um dos dilemas da ciência política é explicar a persistência da democracia, mesmo quando há uma crise de confiança. O autor investiga por quanto tempo as sociedades manterão os arranjos institucionais que são a base da confiança na democracia.


ENSAIO
A morte da verdade – Notas sobre a mentira na era Trump
De Michiko Kakutani
Tradução: André Czarnobai e Marcela Duarte
Intrínseca
272 páginas
R$ 39,90

Michiko Kakutani aponta panorama cultural e político na qual as fake news e as mentiras passaram a ser divulgadas em escala industrial. Identifica que o nacionalismo, o tribalismo, a sensação de estranhamento, o medo de mudanças sociais e o ódio ao outro estão em ascensão. Termos como declínio da verdade, fake news, fatos alternativos entraram para o léxico da era denominada de pós-verdade. Nesse cenário, não são criadas apenas notícias falsas e colocada em questão a credibilidade da mídia. Criam-se versões alternativas para a ciência, quando se coloca em xeque as mudanças climáticas, a eficácia das vacinas e a acuidade de fatos históricos, como o Holocausto. Crítica literária do jornal The New York Times, ela defende que o relativismo vem na esteira do narcisismo e da exacerbação das subjetividades, que tem como um dos sintomas a prática das selfies e a autoexposição nas redes sociais.



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