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Estado de Minas Relevância internacional

Inspirados na cultura local, artistas levam Minas Gerais para o mundo

Dos tons refletidos pelas montanhas ao talento exibido na dança e na interpretação teatral, artistas saúdam um estado de cultura diversificada


Minas 300 Anos
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Minas 300 Anos
postado em 02/12/2020 11:07 / atualizado em 02/12/2020 12:57

Yara Tupynambá escolhe as cores das montanhas como símbolo mineiro, mas não se esquece da riqueza da cultura e da arte populares(foto: ANDRÉ SENNA/DIVULGAÇÃO)
Yara Tupynambá escolhe as cores das montanhas como símbolo mineiro, mas não se esquece da riqueza da cultura e da arte populares (foto: ANDRÉ SENNA/DIVULGAÇÃO)

 
Se fosse buscar cores para simbolizar Minas Gerais, a artista plástica Yara Tupynambá escolheria o “verde amarronzado, às vezes azulado, das montanhas”. Se esses tons colorem a alma do estado, a artista, nascida em Montes Claros, na Região Norte do estado, vê a cultura popular, principalmente as festas do Divino, catopês e congado, entre tantas outras manifestações, como símbolos mineiros.

Moradora de BH, Yara destaca o “artesanato finíssimo” de cerâmica, a exemplo das esculturas encontradas na região de São João del-Rei, no Campo das Vertentes, e também no Vale do Jequitinhonha, nascidas do barro.“Os mineiros, principalmente os mais velhos, estão impregnados do seu passado, ainda guardam compoteiras, oratórios, cristaleiras e santos que pertenceram aos pais. Esses 300 anos são de memória e tem os que cultuá-los.” 

A atriz Inês Peixoto, do celebrado Grupo Galpão, vai fundo na história para entender melhor o significado da alma mineira. “O teatro faz parte da fundação de Minas e da sua gente”, afirma. Com essa convicção, ela tem como ponto de partida o poeta e ensaísta do barroco Affonso Ávila (1928-2012), de Belo Horizonte. Ela cita o livro O teatro em Minas Gerais nos séculos 18 e 19, de autoria dele, que “expõe a religiosidade e o teatro como duas poderosas ferramentas de expressão espiritual do ser humano”.

Em Minas, que está comemorando seus 300 anos, “ temos experiências marcantes que entraram para a história, como o Triunfo eucarístico (1733), a construção da Casa da Ópera de Vila Rica, que é nosso lindo Teatro de Ouro Preto, um teatro de bolso de Chica da Silva, que funcionou em Diamantina entre 1753 e 1771, o teatro de Sabará...”. Essas experiências estão na raiz de uma atividade que se tornou um celeiro de grupos teatrais, de artistas que conseguem sobreviver fora do eixo Rio-São Paulo, acrescenta.

Novas receitas 


Para a atriz do Galpão, as conexões do teatro, em Minas, vão além do palco. “Fico pensando que Minas tem uma tradição muito forte com a cozinha. Os artistas mineiros são muito abertos a novas receitas, novas combinações de ingredientes improváveis para resultados inesperados, e temos muitos coletivos que se agrupam de um jeito mineiro muito gostoso de transformar sua sede em quase casas, com cozinha na qual você pode planejar, comer junto, beber, trocar ideias e receber também pequenos públicos.”

Também é no palco que a bailarina do Grupo Corpo Yasmin Almeida, de 27 anos, oito dos quais na companhia de dança com reconhecimento internacional, mostra seu talento e encontra a melhor definição para sua arte: conquista. 

Belo-horizontina, a jovem acredita que a alma mineira é múltipla: “Somos feitos de culturas diversas, de formas, de uma história que tem delicadeza, recebe influências e é receptiva”. Nos palcos mineiros e do mundo, Yasmin participou dos espetáculos Triz, Dança sinfônica, Suíte branca e Gira e Gil,e sabe que a companhia mineira,completando 45 anos, tem um público fiel e representa bem o estado. “Sinto orgulho do que fazemos. Tem gente que acompanha o Corpo desde as primeiras montagens. É muito bonito isso.”

Alma inventiva, mesmo quando faltam pedaços


Conceição Evaristo, mineira de Belo Horizonte, é escritora, ficcionista e ensaísta, mestre em literatura brasileira e doutora em literatura comparada. Tem sete livros publicados, sendo Olhos d'água (2015) vencedor do Prêmio Jabuti. Em 2019, ela foi homenageada pela premiação como personalidade literária.
 
Rio São Francisco, Carolina de Jesus, Chica da Silva, Aleijadinho, Milton Nascimento: uma coleção de referências nas Minas da belo-horizontina Conceição Evaristo(foto: JOYCE FONSECA/DIVULGAÇÃO)
Rio São Francisco, Carolina de Jesus, Chica da Silva, Aleijadinho, Milton Nascimento: uma coleção de referências nas Minas da belo-horizontina Conceição Evaristo (foto: JOYCE FONSECA/DIVULGAÇÃO)
 
 
“A alma mineira sabe ser tão só. E quem pensa que o nosso trem é lento, não, ele é calmo, se afunda no tempo para assuntar a vida, pois viver é perigoso. A alma mineira sabe escrever e quando a letra falta, busca-se na vida a grafia certa, por isso Carolina catava tanto e ainda deixou fartas sobras para quem quiser. A alma mineira é escorregadia entre pedras, se mar não temos, o Chico e suas águas nos batizam, e as águas das Velhas, o rio, não dormem em seu leito. Nem de mar a alma mineira precisa, Chica concebeu um. A alma mineira é inventiva, mesmo quando lhe faltam pedaços, amarra-se a arte na mão machucada, e Aleijadinho surge inteiro, imenso nas estátuas. A alma mineira pega chão, pega estrada, faz travessia e canta Nascimento. Ah, a alma mineira! Preta Velha, congadeira, a embalar Minas ao som das caixas! Eia, Senhora do Rosário! Guardiã de nosso corpo, guardiã de nossa alma.”



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