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Estado de Minas

Fantasma de 2008


10/10/2021 04:00 - atualizado 09/10/2021 19:46

Sacha Calmon
Advogado, coordenador da especialização em direito tributário da Faculdades Milton Campos, ex-professor titular da UFMG e UFRJ
 crise do

Evergrande, a segunda empresa imobiliária da China, está em crise severa.
Em setembro de 2008, o pedido de concordata do Lehman Brothers, então quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, espalhou pânico no mercado financeiro internacional. Em 15 de setembro daquele ano, o Ibovespa desabou 7,59%, o maior tombo desde os ataques às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. O banco tinha 159 anos e até houve uma tentativa frustrada de outras instituições financeiras para salvá-lo, mas ele tinha um prejuízo de US$ 3,9 bilhões.

Foi um dos momentos mais marcantes da história recente e também ficou conhecido como crise do “subprime”, por causa dos títulos podres de hipotecas dos bancos. A quebra trouxe instabilidade no mundo inteiro, no dizer dos analistas econômicos. O Brasil sentiu as ondas de choque do tsunami financeiro.

“Os investidores seguem atentos para as próximas movimentações em relação à dívida da segunda maior incorporadora imobiliária da China”, afirma Thayná Vieira, economista da Toro Investimentos.

O fundador da Evergrande, Xu Jiayin, afirmou em uma carta aos funcionários que “acredita firmemente que a Evergrande poderá sair em breve de seu momento mais obscuro” (jornal estatal Securities Times). O presidente da comissão de valores mobiliários americana (SEC, na sigla em inglês), Garry Gensler, afirmou que os Estados Unidos estão em uma “posição bem mais forte em 2021 para absorver choques” do que estava na crise anterior, mas não está o país isolado dos acontecimentos no mundo, lembrando a grande interconectividade com a economia global, hoje existente.

Na avaliação do economista André Braz, da FGV, uma empresa do porte da Evergrande não entra em falência sem uma contrapartida do governo chinês. “Então, o mercado reage rápido a esse tipo de notícia e às vezes opera em prejuízo, mas é a característica do mercado muito volátil. Com uma empresa do porte dela, dificilmente o governo de chinês não vai deixar isso acontecer. Eles vão entrar com algum tipo de socorro, intervenção.”

“E o que a gente viu segunda-feira pode ser simplesmente uma volatilidade. A depender das notícias que têm à frente, um dia ruim pode ser superado por um melhor amanhã, vai depender do direcionamento que o governo chinês der a esse problema. Ainda é cedo para a gente concluir alguma coisa a respeito”, afirma o economista da FGV. Ao que tudo indica, o banco chinês que financia a construção cível (estatal) em concorrência com outros bancos já deve ter encaminhado uma solução.

De acordo com Eduardo Velho, economista-chefe do JF Trusts, a situação é efetivamente crítica e não se pode descartar o risco de calote e de as autoridades chinesas virarem as costas para o problema. “Em abril de 2020, o governo da China começou uma regulamentação de preços e proibiu que empresas operassem extremamente alavancadas – o limite máximo foi estabelecido em uma vez o patrimônio líquido. O Evergrande já tinha feito alta captação, teve que se adequar. Reduziu preços e comprometeu sua capacidade de honrar os bancos. O dilema é se o governo vai mesmo recuar na aplicação de suas próprias leis fiscais”, acentuou Velho.

Parece não haver dúvida de que isso acontecerá. A China é habilidosa para lidar com coisas desse tipo, mas os empreendedores privados da China terão doravante que se adequar às regras de comedimento do governo central, bem como as províncias (estados para nós).

O episódio expõe ao mundo que a China não tem mais nenhum viés comunista, é capitalista e o fato de ter um partido único não descarta (são 100 milhões de filiados) ser ela uma economia de concorrência privada.
A questão se desloca para a questão democrática. Ter apenas um partido é prova de totalitarismo? Seria se não houvesse correntes, ao menos quatro correntes, lutando pelo poder dentro do partido “comunista” chinês. (No caso dos EUA são apenas dois partidos bem iguais.)

A nova sociologia política francesa – sempre a França – está a sugerir, como no tempo de Tebas, Esparta e Atenas, outros critérios para a classificação dos países como grau de felicidade do povo, a igualdade, a educação geral, a saúde garantida e a fidelidade ao grupo governante, voltado ao povo, como critérios válidos para a análise da questão democrática.

Em certos países, as eleições servem apenas para manter no poder uma classe restrita de pessoas, que se valem do poder. É o nosso caso, penso eu, salvo melhor juízo em contrário.

Nossos partidos são facções de um “partidão”, salvo o PT, que não é sequer socialista e uma tendência caudilhista chamada “bolsonarismo”, como o “peronismo”, o “getulismo”.

Nosso presidente nem partido tem, só para ilustrar a pobreza da nossa democracia. Ele é como um soba africano, um morubixaba, o chefe, o Big Boss, o Duce da Italia na sua pior fase. Um país de 220 milhões de pessoas com um chefe de Estado e de governo “sem partido”...
Pobre Brasil!


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