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Estado de Minas

Bem-vindo ao ano 2021


16/12/2020 04:00

Wagner Dias Ferreira
Advogado

1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate à Aids, com o fracassado desgoverno federal anunciando a suspensão do exame de genotipagem, essencial no tratamento dos pacientes com HIV.
 
Dia 10 deste mês é o marco da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Sem nada a comemorar. Países estão disputando vacinas e ignoram o artigo 25 da DUDH, quando diz que toda pessoa tem direito à saúde sua e de sua família. No caso brasileiro, a situação é mais grave, porque o desgoverno não consegue sequer anunciar um planejamento adequado para quando as vacinas chegarem ao país.

No dia 25, o nascimento do menino Jesus. Mesmo que a pessoa tenha outra fé ou não tenha fé alguma, pode pensar apenas no significado da história que mobiliza a fé cristã. Um Ser Divino (Deus) que se dispõe a abrir mão de sua divindade para assumir a forma de uma das suas criações e vivenciar todas as mazelas dela, inclusive a mais dura: a morte.

A Aids emergiu na virada dos anos 1970 para 1980. Marcou profundamente a humanidade porque o diagnóstico equivalia a fornecer ao paciente seu atestado de óbito. E apareceu de forma que a tornou, provavelmente, a doença mais estigmatizada na sociedade. O medo e as incertezas sobre as formas de contágio e a associação inicial a um grupo social específico tornavam extremamente difícil lidar com a doença. Logo que começaram a aparecer exames e medicamentos para tratá-la, grupos organizados da sociedade obrigaram os governantes a atuar, o que rendeu ao Brasil o reconhecimento de país referência no tratamento. Por isso, é inadmissível que agora, em ambiente de outra pandemia, o Brasil esteja perdendo qualidade no enfrentamento da Aids e seja negligente no combate da nova doença.

Com o término das hostilidades mundiais em 1945 e o aparecimento das atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, era importante que o mundo estabelecesse o mínimo necessário para se reconhecer o pleno exercício da humanidade que veio na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O documento foi assinado em 1948, quando começava a guerra fria entre capitalistas e comunistas. No entanto, não agradou a nenhum dos lados. E, certamente, por isso era boa. Não era um ato ideológico, no sentido de subordinação a qualquer corrente de pensamento dominante da época. Estava acima. Eram direitos humanos.

Por fim, pensar no exemplo do menino Deus. É hoje algo muito necessário para construirmos um século 21 diferente. Assumir, antes de formar qualquer juízo, a posição do outro, conhecer as mazelas que ele viveu, percorrer os mesmos caminhos que ele seguiu.

É esse o desafio a ser enfrentado pela humanidade para o século 21:  estar na pele do outro, e precisamos iniciar urgentemente. Cada um no seu cotidiano, exaustivamente, sem cessar, até que se perceba uma pessoa capaz de humanizar.

Parafraseando a série de TV Trevelers, bem-vindo a 2021. 


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