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Planejamento financeiro na sala de aula

É crescente a busca de conhecimentos sobre investimentos pela nova geração de jovens. Estão cada vez mais ávidos em entender a bolsa de valores


postado em 11/03/2020 04:00

Sheila David Oliveira
Planejadora financeira, diretora da Gfai, empresa especializada em planejamento financeiro, e pós-graduada em gestão de pessoas e em psicologia positiva

 

 

O planejamento financeiro é um dos fatores determinantes pra garantir a qualidade de vida das famílias brasileiras, no presente e no futuro. E a formação de crianças e adolescentes em educação financeira é fundamental para formar uma base de cidadãos mais conscientes, disciplinados, organizados e com capacidade de traçar o uso do dinheiro de acordo com o orçamento familiar.

E um passo importante pra essa transformação foi a inclusão da educação financeira de forma obrigatória no currículo das escolas, desde a educação infantil até o ensino médio, previsto na chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Por esse documento, a educação financeira deve ser abordada de forma transversal pelas escolas, ou seja, nas aulas e projetos.

 

A educação financeira nas escolas traz resultados, de acordo com a AEF-Brasil. Pesquisa feita em parceria com Serasa Consumidor e Serasa Experian, mostra que um a cada três estudantes afirmou ter aprendido a importância de poupar dinheiro depois de participar de projetos de educação financeira. Outros 24% passaram a conversar com os pais sobre educação financeira e 21% aprenderam mais sobre como usar melhor o dinheiro.

 

Em um país capitalista, já era tempo da implementação de um projeto sólido, pois a educação financeira é a base de um indivíduo, de uma família e de um negócio. O tema é para todas as idades e não somente para os jovens. Entretanto, quanto mais cedo a pessoa conseguir lidar com suas finanças, provavelmente terá um futuro melhor, longe das preocupações que as dívidas trazem.

É crescente a busca de conhecimentos sobre investimentos pela nova geração de jovens. Estão cada vez mais ávidos em entender a bolsa de valores, apostando suas mesadas em compra de ações, sem ao menos ter uma base de entendimento. E é aí que mora o perigo, pois, na maioria das vezes, esse jovem não tem o esclarecimento sobre coisas básicas que envolvem esse mundo financeiro, como, por exemplo, o que é uma taxa Selic, o impacto da inflação e até mesmo entender seus gastos, a lição número 1 para se pensar em investir.

 

A base da educação financeira é indispensável para quem quer começar a investir, viemos de gerações em que a educação financeira não era discutida entre a família. Nossos avós e pais, na maioria dos casos, são “analfabetos” em temas financeiros. E, hoje em dia, vemos que as antigas gerações “pagam” preços altos por não entender o básico.

 

Fruto desse atraso é a inadimplência, que atinge mais de 60 milhões de brasileiros, um dos maiores problemas do país. Essa situação de não pagamento dos compromissos financeiros é ainda mais alarmante nas gerações mais jovens, que já entram no mercado de consumo com alto grau de endividamento. E, apesar de a juventude ser o momento mais propício para se pensar no futuro, muitas vezes não é isso que acontece. Por esse motivo, promover a educação financeira para jovens é um desafio muitas vezes subestimado. Infelizmente, estamos tratando de uma geração que não poupa, que se endivida logo cedo e tem pouca ou nenhuma educação financeira.

 

E existe um grande desafio pela frente. É preciso investir na formação de professores, na oferta de material didático adequado e mesmo na garantia de tempo para que se dediquem ao preparo das aulas. Isso porque as avaliações dos estudantes brasileiros sobre as noções de educação financeira precisam evoluir. No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, o Brasil ficou em último lugar em um ran- king em competência financeira, entre 15 paí- ses. O Pisa oferece avaliação em competência financeira de forma optativa e os resultados disponíveis mostram que a maioria dos estudantes brasileiros obteve desempenho abaixo do adequado e não conseguem, por exemplo, tomar decisões em contextos que são relevantes para eles, reconhecer o valor de uma simples despesa ou interpretar documentos financeiros cotidianos.

 

A orientação para a mudança de comportamento emocional em relação ao dinheiro é essencial. E as escolas e professores terão um papel fundamental nesse novo ciclo de formação de alunos-cidadãos, pensantes, críticos e autônomos, e ensinar educação financeira faz parte disso. 

 


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