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Estado de Minas

HPV: menos preconceito e mais educação sexual

Imunização entre as meninas é muito maior do que entre os meninos


postado em 13/01/2020 04:00

 
Juliane Gomes de Paula
Infectologista (HSANP)

Preconceito, falta de incentivo e educação sexual precária são fatores que interferem na imunização contra o HPV em crianças, adolescentes e mulheres no país. O papilomavírus humano é uma doença sexualmente transmissível, que afeta indivíduos de ambos os sexos, da infância à fase adulta. Apesar de nem sempre ter cura, existe prevenção e tratamento.

O principal sintoma dessa doença é o surgimento de várias pequenas verrugas na região íntima, que geralmente se acumulam muito perto umas das outras, formando uma espécie de ‘crosta’. Por isso, toda atenção é válida; as verrugas ou bolinhas, como são chamadas muitas vezes, podem surgir nas mãos, coxas, boca, podendo ser confundidas com um sinal ou doença de pele. A infecção pelo HPV pode provocar doenças graves, como lesões na vagina, pênis, ânus e o câncer de colo do útero.

Por se tratar de um vírus, não há um tratamento específico. O que é feito, na maioria dos casos, é o tratamento das verrugas de forma individualizada. Para o procedimento são utilizados o laser, a eletrocauterização, o ácido tricloroacético e medicamentos para reforçar o sistema imunológico do paciente.

O sistema de saúde público, o SUS, indica a vacinação para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14. Para os portadores do vírus HIV, a faixa etária é maior, vai dos 9 aos 26 anos, e o programa vacinal é de três doses, contendo intervalos de dois e seis meses. Vale lembrar que a vacina é gratuita nos postos de saúde, podendo ser facilmente encontrada.

Segundo o Ministério da Saúde, apenas 22% dos meninos na faixa etária indicada tomaram a segunda dose. Entre as meninas, 51%. Outra preocupação do Ministério da Saúde em relação à vacina é que a imunização entre as meninas é muito maior do que entre os meninos. O preconceito é o fator responsável para que não haja interesse na vacinação e, na maioria dos casos, oriundo dos pais. Muitos pensam que ao falar do assunto, podem despertar nas crianças um interesse sexual que não é bem-vindo na idade prevista para a vacinação.

Oito entre 10 mulheres sexualmente ativas contraem pelo menos um tipo de papilomavírus ao longo da vida. O Ministério da Saúde registra 137 mil novos casos no país a cada ano. Hoje, o desenvolvimento da doença é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero.

A maioria das pessoas não apresentam nenhum sintoma ao contrair a doença e, por isso, não procuram tratamento. Esse comportamento é o grande responsável pela disseminação do vírus, que tem 150 tipos (cepas).

O Brasil é um dos líderes mundiais em incidência de HPV. As vítimas preferenciais são mulheres entre 15 e 25 anos, embora a doença também acometa os homens. O número menor de registros no sexo masculino pode ser explicado pela baixa procura dos homens por serviços de urologia, preconceitos ou falta de informação, o que tornaria a doença subnotificada.

O mais importante é que o HPV pode ser prevenido, porém, o preconceito em relação à doença não pode ser maior que o tratamento. Portanto, informe-se, vacine-se e converse com seus filhos. O papel dos pais na educação e prevenção de doenças sexuais é fundamental.



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