Arnaldo Godoy
Vereador
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) completou 92 anos como a melhor instituição de ensino superior federal e a terceira do país, de acordo com ranking mundial Times Higher Education (THE/2019). Não é para menos, Além das dezenas de cursos oferecidos, de onde saíram juristas, cientistas, escritores, prefeitos, ministros, governadores e quatro ex-presidentes brasileiros, a UFMG também detém um dos mais ativos núcleos de pós-graduação do país.
Na última avaliação da Capes, fundação vinculada ao Ministério da Educação, dos 63 programas de doutorado em atividade na UFMG, 31 foram apontados como de padrão internacional – classificados com as notas 6 e 7, o maior percentual brasileiro de programas de doutorado com tais notas (49,2%). São 892 grupos de pesquisa, destacando ciências da saúde (178), humanas (154), ciências sociais aplicadas (140) e ciências exatas e da terra (107).
A UFMG lidera, também, o ran- king de instituições com depósito (registro) de patentes no Brasil (738), com média de 70 novas patentes/ano, grande parte delas na área de biotecnologia, com métodos mais baratos e precisos para diagnósticos para dengue e doença de Chagas, além de prognósticos eficazes para diversos tipos de câncer.
No âmbito da cooperação internacional, a UFMG mantém convênios com 425 instituições no exterior. Ela cuida, também, do Hospital das Clínicas, referência no tratamento de patologias de média e alta complexidades e em transplantes, colocando toda a sua estrutura em favor de pacientes exclusivamente do SUS.
É fundamental citar esses indicadores para compreender a grandeza da UFMG e o objetivo do atual governo, que notoriamente desdenha a educação e cortou mais 30% dos recursos para a universidade. É uma reedição do que o governo FHC tentou fazer em 2002 – sucateamento das federais com o objetivo de oferecê-las ao capital privado. Há muito o sociólogo português Boaventura Souza Santos denuncia a destruição sistemática das universidades públicas no mundo, em detrimento das multinacionais de ensino superior, que se tornariam monopólios na produção do conhecimento, mercadoria cada vez mais valorizada no mercado neoliberal.
Estima-se que as despesas mundiais com educação ultrapassam o dobro do que fatura a indústria automobilística. Após o sucateamento, as grandes universidades mundiais ofereceriam um sistema de franquia, que submeteria as instituições locais a regras internacionalmente acordadas para o investimento estrangeiro. Dessa forma, todo o conhecimento produzido nos cursos de extensão e pesquisa pertenceria a esses grandes conglomerados acadêmicos. Saíram na frente na iniciativa universidades dos EUA, Nova Zelândia e Austrália.
O sucateamento das universidades públicas, em especial da UFMG, atende, portanto, a um pequeno grupo capitalista que pretende dominar o conhecimento estratégico proporcionado pela educação superior. Como consequência, a produção universitária se volta ao mercado e não para o fortalecimento de projetos sociais locais, modelo adotado pelas universidades públicas.
