Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas EDITORIAL

Poluição e inércia

As autoridades devem centrar seus esforços na contenção das manchas de petróleo que invadiram praias paradisíacas


postado em 22/10/2019 04:00


 
O governo não mostrou eficiência em lidar com o desastre ambiental que tomou as praias do Nordeste desde o aparecimento, há quase dois meses, das primeiras manchas de óleo no litoral dos nove estados da região. Demorou muito para as autoridades ambientais tomarem as medidas necessárias para, pelo menos, minimizar os danos ao meio ambiente provocados pela poluição do petróleo. Os órgãos ambientais federais são acusados pela população litorânea e autoridades locais de um imobilismo inexplicável, diante da situação vivenciada por mais de 200 localidades em quase 80 municípios.
 
Moradores alertam que pouco foi feito para proteger, com eficácia, os 2.100 quilômetros de costa nordestina – cerca de um quarto do litoral brasileiro – sujeitos à invasão do material poluente. Os prejuízos já causados à fauna e flora são preocupantes e o maior receio dos ambientalistas é que o óleo chegue aos manguezais, criatórios naturais da vida marinha. Além disso, as atividades turísticas podem ser bastante afetadas, comprometendo as economia regional, assim como a indústria pesqueira.
 
A origem do vazamento do petróleo ainda é desconhecida. O que está comprovado é que o material procede da Venezuela. Ele pode ter vazado há centenas de quilômetros da costa brasileira devido a um naufrágio ou o transbordo do combustível em alto-mar por navios clandestinos, numa forma de burlar o embargo imposto pelos Estados Unidos à Venezuela. O óleo é venezuelano, mas isso não significa que tenha vazado no território do país vizinho, como chegou a ser dito por autoridades federais, inclusive o presidente Jair Bolsonaro. Ele chegou a insinuar que o derramamento poderia ter sido proposital para prejudicar o megaleilão do pré-sal marcado para novembro, dando asas a uma improvável teoria da conspiração.
 
A inércia do governo federal vem sendo duramente criticada pelos governos estaduais e municipais, que agora promete ressarcir as administrações locais pelo serviço de recolhimento do agente poluidor. Chegaram a questionar se o Planalto, Ibama e Marinha à frente, está cumprindo, rigorosamente, o previsto no Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC).
 
As autoridades devem centrar seus esforços na contenção das manchas de petróleo que invadiram praias paradisíacas como Porto de Galinhas e Carneiros, em Pernambuco. A mobilização das comunidades litorâneas e de turistas é a boa surpresa em meio ao desastre. Colocam a mão na massa, literalmente, retiram grande quantidade de piche das areias e cobram das autoridades o envio de pessoal especializado e máquinas e equipamentos para que possam continuar com o trabalho de limpeza. As primeiras manchas começaram a chegar ao litoral em agosto, na Paraíba. Já foram recolhidos mais 500 toneladas de resíduos e espera-se que a origem do desastre seja desvendada, o quanto antes, para que novos não aconteçam e que todos os meios sejam empregados para limpar o litoral nordestino. 
 


Publicidade