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Estado de Minas

Venezuela em transe

Espera-se que prevaleça o bom senso e se encontre forma negociada de fazer chegar o socorro ao povo, castigado por privações crescentes


postado em 23/02/2019 05:04

 

 






Age bem o governo brasileiro na delicada crise da Venezuela. Em momento algum optou pelo confronto. Ao contrário. Em obediência ao artigo 4º da Constituição, que estabelece como o Brasil deve se comportar internacionalmente, segue os ditames de autodeterminação dos povos, não intervenção, defesa da paz e solução pacífica de conflitos.

A ajuda humanitária prevista para ser entregue amanhã não terá a participação de militares. O plano é que caminhões dirigidos por venezuelanos atravessem a fronteira pela cidade de Pacaraima e transportem as 23 toneladas de alimentos, remédios e kits de emergência.

Com o fechamento da fronteira, fica a dúvida de como será a ação. Em hipótese alguma, segundo o porta-voz Otávio Rêgo Barros, brasileiros porão os pés do lado de lá. Há tensão, mas controlável. Espera-se que prevaleça o bom senso e se encontre forma negociada de fazer chegar o socorro ao povo, castigado por privações crescentes.

Nicolás Maduro afirma que não se trata de ajuda humanitária, mas cavalo de troia cujo objetivo é apeá-lo do poder. Não deixa de ter razão. A situação permite duas leituras. De um lado, venezuelanos passam necessidade, estão desnutridos e muitos morrem por falta de remédios. O quadro dramático machuca as consciências civilizadas do mundo e mobiliza respostas.

De outro lado, o movimento tem forte viés político. Daí por que organizações humanitárias como a Cruz Vermelha, as agências da ONU dedicadas ao tema e especialistas em direito humanitário estão fora do processo – que contraria os princípios de neutralidade, independência e imparcialidade do direito humanitário internacional.

É difícil prever o que acontecerá. A torcida da oposição é que a crise se acentue de tal forma que os militares abandonem em massa o presidente e o obriguem a renunciar ao Palácio de Miraflores. Se tal cenário não se concretizar, o conflito tende a se agravar, com consequências trágicas. O pior pode piorar.

O Brasil tem especial interesse no conflito, que vai além da simples proximidade territorial. Roraima importa combustível e fertilizante do país vizinho. A interrupção do fluxo comercial comprometerá a próxima safra do estado. Não só. Roraima é a única unidade da Federação não interligada ao sistema nacional de energia. Depende da transmissão de energia elétrica produzida na hidrelétrica venezuelana de Guri. Sem ela, a alternativa é o racionamento.

Brasília, frisou o general Augusto Heleno, não vai fazer nenhuma ação agressiva contra Caracas. A decisão é acertada. Mas não significa cruzar os braços. O Itamaraty pode voltar à tradição e negociar uma saída honrosa para Maduro, como sugeriu o vice-presidente da República. É hora da diplomacia, que sempre encontra palavras para promover o diálogo.



Frases

"O Palácio do Planalto tem 20 votos de sobra para a reforma da Previdência"

 
. Diap, Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, em relatório de pesquisa sobre a votação da reforma previdenciária

"O governo vai ter que agilizar a reforma dos militares, vai ter que vir em conjunto para não ficar parecendo que eles vão ter tratamento diferenciado"
 
. Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara dos Deputados, sobre o fatiamento da proposta de reforma da Previdência

 


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