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Estado de Minas GOIÂNIA

Professor é dispensado de colégio por usar tirinha sobre polícia em prova

Instituição da capital goiana demitiu funcionário após caso ganhar publicidade ao ser veiculado pelo blogueiro Gustavo Gayer nas redes sociais


30/06/2022 13:17 - atualizado 30/06/2022 13:33

Professor demitido
Professor foi acusado por blogueiro de doutrinar alunos (foto: Reprodução/Instagram)
 
Por ter utilizado em uma prova uma tirinha do cartunista André Dahmer, do jornal Folha de S Paulo, o professor de sociologia do colégio Visão, de Goiânia, Osvaldo Machado da Silva Neto, 41 anos, foi sumariamente demitido. O desligamento do professor provocou a reação dos estudantes, que promoveram, na manhã desta quarta-feira (29), uma manifestação nos corredores da escola privada, contra o desligamento do funcionário. 
 
O motivo da demissão foi a publicidade do fato, que ganhou repercussão ao ser veiculada pelo blogueiro Gustavo Gayer, em suas redes sociais. Revoltados com a demissão do professor, alunos do Colégio Visão promoveram na manhã desta quarta manifestação nos corredores da escola, pedindo justiça.

A tirinha, usada em uma prova de recuperação, questionando “qual o elemento do Estado que está sendo retratado”, mostra um dos personagens de André lendo um jornal, comentando, no primeiro quadro, sobre mais um assalto em São Paulo. Em seguida, o mesmo personagem diz “ainda bem que temos a polícia para combater a violência em prol...” E finaliza com a frase “...da barbárie”.

Indignado com a utilização da tirinha na prova, Gayer postou um vídeo acusando o professor de “doutrinar” os alunos. “O professor de sociologia ensinando para os jovens que a polícia causa barbárie. Odeia a polícia, nas ama os bandidos”, disse, ele na gravação postada na segunda-feira, que recebeu apoio de dezenas de seguidores. Ex-candidato a prefeito de Goiânia, Gayer foi citado em uma lista do Google encaminhada à CPI da covid como o segundo blogueiro que mais disseminou fake news no país durante o auge da pandemia.

Osvaldo Machado, que lecionava há seis anos no colégio, Ele disse que viu o vídeo na segunda pela manhã e a notícia da demissão na terça. “Esse vídeo produziu enorme desconforto. A questão na prova, com a utilização da tirinha, não era sobre polícia ou bandido, mas sobre o aspecto do estado”, disse, observando que a prova foi aplicada somente para seis alunos em recuperação.

Segundo ele, o uso da tirinha foi comunicado à direção da escola, sem que houvesse qualquer manifestação contrária. “No dia seguinte (terça-feira), percebi algo estranho. A diretora me chamou e, depois da aula, quando me apresentei, fui surpreendido com o anúncio da demissão. Considerei o motivo desproporcional”, disse.

Osvaldo leciona em outro colégio particular de Goiânia, o Simbios, e afirma que lá recebeu apoio dos professores e diretores. “Me acolheram, disseram que nada ocorreria em função desse episódio lamentável. Fui vítima da ideia de escola sem partido, de violência psicológica e econômica, mas saio de cabeça erguida, com o apoio de pais, alunos e professores do colégio que me demitiu”, afirma. 

“Eu e minha esposa planejávamos uma gravidez, mas agora, com a maior parte dos meus rendimentos cortada, e sem plano de saúde, fica mais difícil realizar esse sonho”, lamenta.
 

Prova

 
Osvaldo disse não ter decidido ainda se pretende processar o colégio Visão, mas está inclinado a mover uma ação contra Gayer, por difamação e danos morais. O caso remete ao de um professor da rede pública do Distrito Federal, que foi enxovalhado por deputados distritais e pela Secretaria de Educação do GDF por usar em suas aulas de sociologia do ensino médio a cartilha da personagem Niara, do cartunista Aroeira, explicando a necessidade de tributação de grandes fortunas.

O Correio entrou em contato com Gayer e com a diretora do colégio Visão, Any Rezende, mas ambos não retornaram até a publicação da matéria.


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