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Estado de Minas POPULAÇÕES

Favelas cresceram o equivalente a 95 mil campos de futebol em 35 anos

Crescimento das favelas entre 1985 e 2020 no Brasil pode ser comparado ainda a três vezes a área de Salvador ou 11 vezes a de Lisboa, capital de Portugal


04/11/2021 18:12 - atualizado 04/11/2021 19:06

Favela em BH
Vista do Aglomerado Santa Lucia (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A expansão urbana no Brasil está cada vez mais acelerada. Em 35 anos, as áreas urbanizadas dobraram, passando de 2,1 milhões de hectares para 4,1 milhões de hectares, segundo uma pesquisa realizada pelo Projeto de Mapeamento Anual do Uso e Cobertura da Terra no Brasil (MapBiomas). Um destaque desse avanço são as favelas brasileiras, que cresceram o equivalente a 95 mil campos de futebol no período.

A comparação de crescimento das favelas também pode ser feita com três vezes a área de Salvador ou 11 vezes a área de Lisboa, em Portugal. Ao todo, 4,66% do crescimento de áreas urbanizadas entre 1985 e 2020 têm características de informalidade.

O aumento é perceptível para quem vive o dia a dia das comunidades brasileiras, como Cristiane Pereira, a Kika, presidente da Associação de Moradores Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte. Ela conta que há anos existiam muitas áreas verdes no local, mas que tudo foi sendo ocupado com o tempo.
 
"O último censo que temos da Serra é de uns 20 anos atrás, com 50 mil habitantes. Mas, hoje, sabemos que tem mais de 120 mil. Inclusive, tinha uma área verde aqui há três anos, agora são todos barracos", diz.

Dia da Favela

Comemorado em 4 de novembro, o Dia da Favela marca a primeira vez que o termo apareceu em um documento público, em 1900. Segundo a Agência Brasil, na época, o delegado da 10º Circunscrição e chefe da Polícia do Rio de Janeiro, Enéas Galvão, se referiu ao Morro da Providência como favela, onde moravam os favelados, como eram chamados os soldados que lutaram na Guerra de Canudos, na Bahia, e ficaram marcados pela planta favela.
 
Com o passar dos anos, as favelas foram sendo cada vez mais ocupadas e segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019 havia 5,1 milhões de casas em 13.151 mil aglomerados no país, localizados em 734 municípios. Em 2010, eram 3,2 milhões de casas em 6.329 aglomerados, em 323 cidades, segundo o último Censo Demográfico.
 
De acordo o MapBiomas, os dados da pesquisa apontam que as favelas são mais sensíveis às políticas econômicas e sociais, crescendo mais em períodos de retração do PIB. Para Kika, alguns fatores contribuem com o aumento das populações de aglomerados.
 
Cristiane Pereira
Cristiane Pereira, a Kika, presidente da Associação de Moradores Aglomerado da Serra (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press- 12/07/2021)
"Eu creio que esse aumento da população das ocupações e favelas de BH e do Brasil, são as causas financeiras, primeiramente. A maioria das pessoas que começam a formar família e não tem casa própria ou não conseguem bancar um aluguel, vêem a oportunidade numa favela".
 
"Aqui na Serra mesmo, tínhamos muitas áreas verdes e depois foram sendo ocupadas. A maioria das pessoas que invadem esses espaços não tem onde morar. Outras vem para morar de aluguel e encontram uma oportunidade de construir. Isso acaba aumentando a população", continua.
 
Além disso, ela pontua que a pandemia e as políticas atuais também são parte das causas. "Acredito que a pandemia também deixou muita gente desempregada e desamparada, além do nosso governo atual. Isso também contribui para o crescimento das populações em BH e em outras comunidades. Conheço outros líderes de favelas que dão esses relatos".

Crescimento das áreas urbanizabas pelo Brasil

As áreas urbanizadas no Brasil têm um crescimento anual de 1,97% e já superam o aumento da população por ano, de 1,45%. As capitais com maior concentração de área urbanizada estão no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, sendo São Paulo a líder, com 218.985 hectares (ha). Seguida pelo Rio de Janeiro (174.534 ha), Brasília (89.243 ha), Belo Horizonte (87.121) e Curitiba (74.239 ha).

Apesar do crescimento, diversas áreas que apareceram nas últimas três décadas estão localizadas em regiões sujeitas a deslizamentos. As imagens de satélite feitas pelo levantamento identificaram o risco, principalmente, em ocupações de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo.

Quanto ao crescimento por bioma, a Mata Atlântica concentra mais da metade das áreas urbanizadas do Brasil (54,7%), mas o maior avanço registrado pela pesquisa se deu na Amazônia, Caatinga e Cerrado.

A Amazônia lidera o percentual de crescimento das ocupações informais (favelas), com 18,2%. Os estados desse bioma também são liderem quando o total da área é analisada. No Amazonas, a informalidade responde por 45% da área urbanizada, em seguida o Amapá (22%), o Pará (14%) e o Acre, com 12,6%.

*Estagiária sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz



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