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Estado de Minas VEJA O VÍDEO

Racismo: após batida, homem surta, quebra carro e agride a motorista

Após colidir com o carro de Paula Paiva, Ênio Barcelos subiu no veículo dela, quebrou o para-brisa aos chutes, agrediu a família e as chamou de 'pretas safadas'


26/10/2021 08:38 - atualizado 26/10/2021 08:59

Durante a discussão, homem subiu no carro de Paula Paiva e, com chutes, danificou o para-brisa
Durante a discussão, homem subiu no carro de Paula Paiva e, com chutes, danificou o para-brisa (foto: Arquivo pessoal)
A família de Paula Paiva está em estado de choque após se envolver em um acidente de trânsito, no domingo (24/10), e ser agredida pelo motorista envolvido na colisão. "Minha mãe está abalada. A minha irmã está melhor, mas ficou bem assustada na hora. Eu estou bem chateada, porque a compra do carro é recente e por precisar dele pra trabalhar", contou ao Correio a personal trainer de 25 anos.

Paula afirmou que pretende, futuramente, fazer com que o empresário Ênio César de Barcelos, 40 anos, arque também com as despesas que ela terá para se locomover nos próximos dias, enquanto o conserto do veículo não for concluído. "Ele acabou com meu carro, e meu braço está dolorido", desabafou a vítima. Não bastasse todo o absurdo do caso, as agressões ocorreram às vésperas do aniversário da mãe de Paula, comemorado nesta terça-feira (26/10).

Além de trincar com chutes o para-brisa do carro de Paula depois de subir no veículo, o agressor teria proferido ofensas racistas à família, de acordo com a personal trainer. "Ele xingou minha mãe e minha irmã de pretas safadas e noiadas", relatou a vítima. A menina tem 9 anos, e a mãe de Paula, 46. Depois das agressões, Ênio César foi preso, e a vítima registrou boletim de ocorrência na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro). O caso é investigado como injúria racial, dano, acidente de trânsito sem vítima e lesão corporal. Ainda no domingo (24/10), porém, o agressor pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberado.

O delegado responsável pelo caso, Josué Ribeiro, disse ao Correio que o homem não possui antecedentes criminais e alegou que não tinha tomado os remédios controlados no dia. Segundo o boletim de ocorrência, tanto a mulher quanto o agressor foram encaminhados ao Instituto de Medicina Legal (IML). O carro da vítima foi periciado ontem. Apesar de brigas no trânsito serem comuns, a Polícia Civil do Distrito Federal não possui o registro da quantidade de relatos desse tipo. "Não temos essa natureza criminal em nosso ordenamento jurídico, e a leitura de históricos se torna inviável diante do grande volume de ocorrências de trânsito", respondeu a corporação, em nota.

O caso

O homem agrediu Paula física e verbalmente durante uma briga de trânsito em Taguatinga. Segundo relato da vítima, o condutor ficou enfurecido por ela ter arranhado o carro do homem ao dar ré em um posto de gasolina. Paula disse que desceu do automóvel, falou com a esposa de Ênio, passou seu contato para arcar com os prejuízos e saiu. De acordo com o motorista, ele tentou ligar para o número da mulher, que supostamente estaria errado. Foi, então, que ele fechou a moça na saída do posto e começou a segui-la. Após quatro minutos de perseguição, quando a mulher parou em um semáforo vermelho, Ênio desceu do veículo, subiu no carro de Paula e quebrou o para-brisa com chutes. De acordo com a vítima, o homem tentou agredir sua mãe, que estava no carro.

"Foi ontem (25/10), no posto de gasolina, por conta de um arranhão no carro dele. Ele desceu muito nervoso, xingando, mas passei o meu número para a esposa. Ele me fechou na frente da bomba de combustível, mas eu dei ré e saí do posto. Mesmo assim, ele me seguiu. Tudo aconteceu no sinal vermelho, ele tentou agredir minha mãe, me puxou muito pelo braço, chutou o retrovisor e subiu no meu carro (quebrando o para-brisa)", relatou Paula.

Um vídeo feito no local mostra o momento em que o homem, alterado, sobe no carro da mulher. Em outra gravação, depois de quebrar o vidro, ele puxa o braço da vítima, sentada no banco do motorista, enquanto a irmã de Paula, no banco de trás do veículo, chora e grita de desespero. A mulher ficou com as mãos machucadas com as agressões de Ênio. A esposa do empresário tentou contê-lo. Até o fechamento desta edição, o motorista não havia retornado os pedidos de posicionamento nem sua defesa fora localizada.


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