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Estado de Minas CRIME

Médico que sacou arma em pizzaria é indiciado por ameaça e porte ilegal

Pelo seu registro, médico só poderia portar a arma do trajeto entre a casa e o estande de tiros; ele responderá pelo crime de porte ilegal de arma de fogo


01/10/2021 09:07

Médico é acusado de ameaçar os funcionários de uma pizzaria
Médico é acusado de ameaçar os funcionários de uma pizzaria (foto: Material cedido ao Correio)
Policiais civis do Distrito Federal foram, nesta quinta-feira (30/9), até a casa do médico acusado de sacar uma arma e ameaçar o dono e funcionários de uma pizzaria em Brasília. Thiago Zacariotto Lima Alves, 41, apresentou aos investigadores uma pistola 9mm com três carregadores e um revólver calibre 38.

O profissional de saúde tem o registro de CAC (colecionador, atirador e caçador), mas responderá pelo crime de porte ilegal de arma de fogo, pois ele só poderia portar a arma do trajeto casa-estande de tiros.  

O delegado-chefe da 1ª DP, Marcelo Portela, explicou que a entrega dos armamentos partiu de um acordo entre os investigadores e a advogada do acusado. "Sugerimos que essa entrega fosse feita o mais rápido possível para tentar diminuir a tensão. De certa forma, percebemos que ele (Thiago) está colaborando com as investigações", frisou.

Armas apreendidas pela PCDF
Armas apreendidas pela PCDF (foto: PCDF/Divulgação)

No domingo (26/9), o  médico teria chegado ao estabelecimento alterado e nervoso . Segundo o proprietário, o motivo seria a demora na entrega de duas pizzas, solicitadas por um aplicativo. Contudo, o dono ressaltou que, na verdade, Thiago havia esquecido de atualizar o endereço de entrega no app, com isso o pedido não tinha chegado. A reportagem apurou que o médico havia se mudado para um novo endereço três dias antes da data do ocorrido. Thiago foi intimado e tem até 13 de outubro para comparecer à delegacia.

Em nota oficial, a defesa de Thiago informou que o médico colabora ativamente com as investigações acerca dos fatos ocorridos no último domingo. Os advogados ressaltaram, ainda, que a conduta do profissional "não reflete na vida pessoal e profissional". "Antes mesmo de qualquer intimação, realizou de forma espontânea o comparecimento à 1ª Delegacia de Polícia, procedendo à entrega das armas de fogo que possui, as quais estão em situação regular, se colocando à disposição da Justiça", afirmou.

Improbidade

Não é a primeira vez que o profissional de saúde é investigado. O Correio revelou que, em 2016, o Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) solicitou a condenação de Thiago pelo crime de improbidade administrativa. Em 2013 e 2014, quando ocupava a função de secretário Municipal de Saúde de Santa Inês (MA), na administração de seu pai José de Ribamar Costa, que era prefeito da cidade, eles teriam contratado servidores sem concurso público, fora dos casos previstos em lei. Uma odontóloga, que era funcionária da administração, teria colaborado com os atos. Na justificativa do MP, os envolvidos ofenderam o princípio de moralidade administrativa, "na medida que não coadunam com os fundamentos éticos da boa administração". A sentença ainda não foi definida pela Justiça. O Ministério Público pediu a condenação dos três por improbidade administrativa.

O Correio também noticiou que o profissional de saúde teria contratado mais de R$ 1,2 milhão em serviços sem licitação no período em que foi secretário no Maranhão. Outra denúncia do MPMA detalha quais foram os serviços contratados, como a locação de um imóvel na Rua das Laranjeiras, avaliado em R$ 42.500, o arrendamento das instalações e equipamentos do Hospital Municipal Tomás Martins (R$ 658.680), serviços de assessoria contábil (R$ 147 mil), serviços médicos de ortopedia (R$ 34.450), aquisição de confecção de materiais impressos gráficos (R$ 72.150), além de outros serviços médicos prestados em densitometria, tomografias e mamografias, que totalizaram um gasto de mais de R$ 117 mil.

A reportagem tenta contato com o Thiago desde segunda-feira (27/9), mas sem retorno. A equipe esteve no prédio onde ele mora com a mulher, mas o médico não estava em casa e não atendeu ou respondeu às mensagens enviadas pela reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.


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