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Estado de Minas

Professor envenenado pretendia denunciar esquema de 'rachadinha' em escola; ouça

Em áudio, Charles de Albuquerque Silva, 50 anos, disse que iria à escola checar documentos no dia em que passou mal


postado em 07/02/2020 11:46 / atualizado em 07/02/2020 11:55

Troca de mensagens mostra que professor iria denunciar esquema de rachadinha no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410 da Asa Norte(foto: Reprodução/Facebook)
Troca de mensagens mostra que professor iria denunciar esquema de rachadinha no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410 da Asa Norte (foto: Reprodução/Facebook)

Troca de mensagens entre Odailton Charles de Albuquerque Silva, 50 anos, e um amigo, mostra que o professor iria denunciar um esquema de rachadinha no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410 da Asa Norte.

Charles enviou um áudio informando que iria na unidade de ensino na quinta-feira (30/1) checar uma documentação. Nesse dia, ele passou mal e foi encaminhado ao hospital, após tomar um suco de uva supostamente envenenado.



“Vou quinta-feira na escola fazer os acertos com o pessoal para sair o extrato bancário e passar o que tenho que passar. Estou recolhendo uns documentos particulares e vou fazer uma denúncia formal contra a (Coordenação) Regional de Ensino”, disse Charles, que deixou de ser diretor do CEF 410 este ano.

De acordo com o professor, ele havia deixado dinheiro na escola, mas a quantia nunca havia sido repassada de volta. “Seguraram o dinheiro e agora estão utilizando da forma que querem e contratando a empresa que eles querem”, apontou.

Para Charles, estava acontecendo um esquema de rachadinha na unidade de ensino. “Vou fazer essa denúncia e recolher tudo de prova que eu tenho, gravação e arrebentar a boca do balão. Se tiver processo, vai ser com minha advogada, porque vou botar no pau esse povo. Comigo, vai ser tudo na Justiça. O negócio está feio”, finalizou.

A Secretaria de Educação disse que aguarda as investigações policiais e a finalização do inquérito para se pronunciar.

Morte por envenenamento

Análise de peritos do Instituto de Medicina Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) confirmou que a morte de Charles ocorreu por envenenamento. Essa, agora, se consolida como a principal linha de investigação da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte).

Um exame preliminar do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) indicou a presença de um tipo de organofosforado, substância presente em inseticidas, agrotóxicos e em veneno de rato, conhecido como chumbinho. 

Charles morreu nessa terça-feira (4/2). Ele passou mal na quinta-feira (30/2) da semana passada, após beber um suco de uva oferecido por uma colega de trabalho. Troca de mensagens entre o professor e amigos mostram que ele disse que suspeitava que teria sido envenenado por uma funcionária da escola.


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