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Estado de Minas TRAGÉDIA

Mortes e destruição no Espírito Santo

Ao menos seis pessoas morreram no Sul do estado por causa das fortes chuvas. Treze cidades estão em alerta


postado em 19/01/2020 04:00 / atualizado em 18/01/2020 19:57

Em Iconha, onde três pessoas morreram, lojas do Centro da cidade foram invadidas pela água (foto: Adriano Zucolotto/Governo-ES)
Em Iconha, onde três pessoas morreram, lojas do Centro da cidade foram invadidas pela água (foto: Adriano Zucolotto/Governo-ES)

Vitória – Ao menos seis pessoas morreram em decorrência das fortes chuvas que atingiram o Sul do Espírito Santo entre a noite de sexta-feira e a madrugada de ontem. Os bombeiros e a Defesa Civil ainda tentavam chegar a alguns dos locais atingidos para verificar o número de desabrigados e desaparecidos.

Três vítimas foram registradas em Iconha e três em Alfredo Chaves, município com o maior acumulado de chuvas nas últimas 24 horas, com 249,2mm. Duas das vítimas são um casal de idosos que ficou soterrado após o desabamento de sua casa.

O número de desabrigados, de acordo com o tenente-coronel dos bombeiros Carlos Wagner Borges tem aumentado, mas ainda não foi possível precisar quantas vítimas tiveram que deixar suas casas desde o início da enxurrada. Só em Iconha e Anchieta, alagamentos e deslizamentos deixaram ao menos 93 pessoas desabrigadas e oito desalojadas, número divulgado até o momento, segundo a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil.

"Ainda não conseguimos contabilizar o número de desalojados. Muitos locais estão sem energia elétrica, principalmente em Iconha e Alfredo Chaves. Conseguimos contabilizar 80 desabrigados ou desalojados em Anchieta, nos outros municípios está difícil de calcular. Aos poucos a energia está sendo restabelecida e vamos atualizando essas ocorrências", explica o tenente-coronel.

Treze cidades do estado estão em situação de alerta de desabamentos e alagamentos. Os avisos foram emitidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) por causa dos riscos de alagamento e deslizamento. São 17 alertas – sendo que quatro cidades têm dois alertas vigentes.

Em Iconha, o governador Renato Casagrande (PSB) declarou que no primeiro momento os esforços serão voltados a fornecer água potável, alimento, material de higiene e medicamentos. "Muitas casas estão sem água, então, vamos disponibilizar caminhões-pipa. Estamos em contato com a ECO 101 (concessionária de rodovias) para que possam ajudar na retirada dos carros, pois muitos foram arrastados.”

Ele anunciou que o governo lançará uma linha de financiamento do Banco Estadual do Espírito Santo para ajudar na reconstrução de casas e dos negócios. As rodovias BR-101 e BR-262 ficaram parcialmente interditadas por movimentos de barrancos na altura dos quilômetros 434 e 78, respectivamente.

“Iconha acabou” Carros e árvores foram arrastados pelas águas em Iconha. No Centro, a altura da água chegou a um metro. Uma passarela desabou completamente, e o Hospital Danilo Monteiro de Castro ficou inundado até o segundo pavimento. Duas pessoas morreram. Uma mulher estava desaparecida.

O prefeito João Paganini informou ao jornal A Gazeta que ainda não foi possível calcular os prejuízos da cidade, mas sabe-se que o comércio ficou praticamente destruído. Paganini vai decretar estado de calamidade pública, o que pode ajudar o município a conseguir recursos com os governos estadual e federal de forma mais rápida. "Iconha acabou. Há 54 anos moro aqui e nunca tinha visto um cenário triste desses", relatou.

Vargem Alta foi a segunda com maior índice pluviométrico nas últimas 24 horas, com 231,6 mm. A cidade estava, até ontem, sem comunicação, água potável e energia.


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