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Estado de Minas CRISE HÍDRICA

Chuvas não aliviam reservatórios do país

Lagos de hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste estão com 21,05% da capacidade, contra 28,52% na mesma época do ano passado, e obrigam o acionamento de térmicas


postado em 17/01/2020 04:00

Usinas com volume de água baixo devem ter capacidade elevada com o aumento das precipitações a partir de agora, segundo o governo(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 5/9/17)
Usinas com volume de água baixo devem ter capacidade elevada com o aumento das precipitações a partir de agora, segundo o governo (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 5/9/17)

 

 Mesmo com as intensas chuvas que atingem Minas, São Paulo e Rio de Janeiro nos primeiros dias deste ano, os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste registram o mais baixo armazenamento de água para esta época do ano desde 2015, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). As duas regiões abrigam as usinas responsáveis pela maior parte da geração hidrelétrica do Brasil.  Na terça-feira, os reservatórios registravam armazenamento médio de 21,05%. Em janeiro de 2015, neste mesmo dia, eles estavam com 18,94%, na média. Já em janeiro de 2019, no mesmo dia, o nível médio nessas hidrelétricas era de 28,52%.

 

Menos água nos reservatórios das hidrelétricas significa mais acionamento de térmicas e energia mais cara. Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, a preocupação hoje é com o custo que pode acabar na conta dos consumidores. Desde 2015, os consumidores pagam mensalmente quando a geração de energia fica mais cara por causa do baixo nível dos reservatórios. O pagamento é feito via sistema de bandeiras tarifárias.

 

Mesmo com o ano começando com reservatórios mais cheios, em 2019 os consumidores pagaram mais de R$ 3,5 bilhões em bandeiras tarifárias, que só foram acionadas a partir de maio. Já em 2020, o ano começou com bandeira amarela acionada, o que significa uma cobrança extra de R$ 1,34 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) de energia consumida. “Estamos vivendo uma situação atípica de bandeira amarela, tanto no mês de dezembro quanto no mês de janeiro. Isso tem uma repercussão em preço porque estamos acionando um grupo térmico, no entanto não existe a menor dúvida quanto à segurança de abastecimento do sistema. O sistema está estável e temos energia para atender a carga”, afirmou Pepitone.

 

Em dezembro de 2019, por exemplo, o acionamento a produção de energia por térmicas foi o dobro da produção em dezembro de 2018. Segundo dados do ONS, a média da geração em dezembro de 2018 foi de 5.362 Megawatts (MW) médio por dia, já em dezembro de 2019 essa geração subiu para 10.272MW médio por dia. Nos primeiros dias de janeiro deste ano, a geração térmica se mantém em mais de 10 mil MW médio por dia.

 

Segundo Pepitone, o baixo nível dos reservatórios não representa risco para o abastecimento de energia do país, mesmo diante de uma previsão de crescimento maior da economia em 2020. A expectativa tanto do ONS e quanto da Aneel é de que as chuvas vão melhorar ao longo de janeiro, o que ajudará a recuperar o nível dos reservatórios. Apesar de mais baixo que em anos anteriores, o armazenamento atual já é um pouco melhor que o verificado ao final de dezembro de 2019, quando os reservatórios estavam com 20,11%, em média, o pior nível para aquele mês desde 2014.

 

O diretor-geral do ONS, Luiz Barata, disse que o órgão conta com as usinas da região Norte para preservar os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste. Até o final de janeiro, cerca de 14 mil MW dos mais de 18 mil MW que serão gerados pelas usinas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), por Belo Monte e por Tucuruí, terão como destino o abastecimento do Sudeste e Centro-Oeste. Esses 14 mil MW são suficientes para abastecer, por exemplo, um país como a Argentina.

 

“As usinas do Madeira estão no máximo de produção e estamos trazendo toda essa energia para o Sudeste. Tucuruí e Belo Monte ainda não aconteceu porque as chuvas estão começando, mas estão subindo e ainda em janeiro vamos poder utilizar na plenitude das usinas de Tucuruí e Belo Monte” disse Barata. Será a primeira vez que o ONS vai contar com toda a energia gerada pelas grandes hidrelétricas do Norte do país para abastecer as outras regiões e ajudar a recuperar os reservatórios.

 

Os diretores da Aneel e do ONS acreditam que o período chuvoso foi deslocado e que a tendência agora é de mais chuvas e de melhora no nível dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste. Barata apontou que a expectativa é que os reservatórios das duas regiões cheguem ao final do período úmido com armazenamento médio entre 33% e 55%.

 

Movimento por sistema de geração

 

Os reservatórios do Sul registraram queda de 0,3% no seu volume útil em relação ao dia anterior, para 27,5%, informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), segundo dados do sistema da última quarta-feira. A energia afluente no mês foi para 46%, enquanto a armazenada afere 5.464MW. As UHEs G.B Munhoz e Passo Fundo funcionam respectivamente com 19,44% e 27,54%.

 

O Sudeste/Centro-oeste contou com acréscimo de 0,1%, chegando a 21,2% da capacidade. A energia contida indica 42.990MW/ mês e a afluente aparece com 64%. Furnas admite 14,44% de volume e a UHE São Simão opera a 35,71%. O Nordeste do país também cresceu em 0,1%, chegando a 38,9% de sua vazão, a maior entre os submercados brasileiros. A energia afluente segue em 37%, enquanto a armazenada indica 20.061MW/mês. A hidrelétrica de Sobradinho funciona a 30,25%.

 

O subsistema Norte apresentou crescimento de 0,2%, atingindo 16,3% de sua capacidade de armazenamento. A energia contida aparece com 2.479MW e a armazenável admite 48% da MLT. A usina de Tucuruí opera com 20,07% de sua capacidade.

 

 Polícia investiga água no Rio

 

A Polícia Civil do RJ abriu um inquérito para investigar como e por que a água da Cedae chegou às casas do Grande Rio com gosto e cheiro de terra. A investigação está a cargo da Delegacia de Defesa Serviços Delegados, que esteve no fim da manhã de ontem nas instalações do complexo que limpa a água do Guandu. O objetivo da delegacia é entender se houve sabotagem ou se a turbidez da água ocorreu por causas naturais, a despeito do que declarou na quarta-feira o presidente da Cedae, Hélio Cabral.

 

“A investigação precisa apurar se, de fato, houve (sabotagem) ou não. Estamos considerando sim o posicionamento do presidente da Cedae, mas nós precisamos saber em que pé as coisas estão para levar tranquilidade à população fluminense”, disse o delegado Júlio Filho. “Nós vamos convocar as pessoas que trabalham no campo, que operam o equipamento, que operam os registros, para sabermos para que direção vamos apontar a nossa investigação”, emendou.

 

Segundo Josy Lima, delegada assistente da Delegacia de Serviços Delegados (DDSD), foi aberto na noite de quarta-feira um registro de ocorrência. O nome do procedimento é Verificação de Procedência de informação. “Vamos tentar verificar a materialidade de um possível crime”, disse a delegada. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli vão coletar o material da água para uma análise laboratorial. Depois disso, começarão os depoimentos de funcionários da Cedae.

 

Há 15 dias, moradores de diferentes partes da Região Metropolitana do Rio relatam que a água encanada da Cedae chega com cheiro e gosto de terra, quando não turva. Na quarta-feira, Hélio Cabral pediu desculpas à população pelo que chamou de “transtornos”. “No Guandu, na semana que vem, com certeza a gente tem água saindo sem geosmina”, destacou. As informações são do site G1.

 

A limpeza extra será feita por carvão ativado. O material, em forma de partículas, funciona como um ímã que atrai as moléculas da geosmina. No entanto, os reservatórios residenciais de mais seis mil litros podem ficar por “bastante tempo” com geosmina. “Na hora que a água sai do Guandu, em menos de 24 horas os reservatórios vão ter sua água trocada. Se a água está suja, num reservatório de seis mil litros, vai ficar por bastante tempo”, explicou.

 

Limpeza A Cedae informou que um estoque de carvão ativado chegou ontem para fazer o tratamento da água que é fornecida para o Rio de Janeiro. A medida foi tomada após a companhia admitir que foi detectada a presença da enzima geosmina, liberada por microalgas, que em contato com microorganismos, altera gosto e cheiro da água.

 

A data de início do tratamento ainda não foi anunciada já que ainda faltam um equipamento que vem de São Paulo. A Cedae disse também que a operação vai custar entre R$ 1 e 2 milhões, mas que não haverá aumento de preço para os consumidores. “A água entra em contato com o carvão e as substâncias indevidas estão sendo aderidas no carvão. Todas as impurezas ficam agarradas no carvão e a água passa sem odor e sabor”, disse Julio Cesar da Silva, chefe do departamento de engenharia sanitária e de meio ambiente da UFRJ. 


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