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Estado de Minas

Igreja teve 90% da estrutura destruída com desabamento de prédio, diz pastor


postado em 01/05/2018 14:48

São Paulo, 01 - O pastor Frederico Carlos Ludwig avalia que ao menos 90% da Igreja Luterana de São Paulo tenha sido destruída pelo desabamento ocorrido na madrugada desta terça-feira, 1º, no centro de São Paulo. Vizinha ao prédio que ruiu, a igreja, inaugurada em 1908 e hoje tombada, teve a maior parte de sua estrutura, incluindo o telhado, comprometida. "Sobraram apenas a torre e parte do altar", afirma Ludwig.

"Há tempos já tínhamos notado que o prédio parecia se inclinar em direção a rua, o desabamento parecia iminente. Tentamos denunciar a situação aos órgãos competentes, mas sem sucesso", conta ele, que foi avisado do incêndio esta madrugada por sua zeladora, que habitava uma edícula nos fundos do prédio. "Cheguei aqui 1h30 e assisti a tudo. Uma desolação para as famílias, em primeiro lugar, mas também para a cidade, que perde um pouco da sua história", diz.

O pastor afirma que o prejuízo da igreja é "incalculável". "Vitrais, móveis de madeira de lei, nosso órgão centenário... Tudo se foi", lamenta o religioso.

Primeiro templo em estilo neogótico construído na cidade - e igualmente a primeira paróquia luterana -, a igreja foi tombada em 2012 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), sob proteção de nível 1, que exige a preservação integral. Há dois anos, o local teve sua parte interna reformada.

Projetado pelo arquiteto alemão Guilherme Von Eÿe, a igreja, que ocupava uma área de cerca de mil m², contava com vitrais confeccionados pela Casa Conrado, do vitralista Conrado Sorgenicht, o mesmo fornecedor das peças que adornam o Mercado e o Teatro Municipal. Expondo o selo de Lutero, as peças que adornam a fachada frontal do templo aparentemente não foram afetadas.

Fogo

O incêndio que atingiu o prédio de 24 andares no Largo do Paissandu começou à 1h30 e logo tomou conta do edifício. Os bombeiros foram chamados e trabalhavam para apagar o fogo e resgatar as vítimas quando ocorreu o desabamento. Oficialmente há uma pessoa desaparecida. As famílias que moravam no local foram enviadas para abrigos.

(Marcelo Gomes)

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