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Estado de Minas

Católicos requerem posição dos bispos sobre danos do PT à Igreja e à sociedade

Em entrevista ao Estado de Minas, Hermes Rodrigues Nery, coordenador do Movimento Legislação e Vida, acusa partido de promover agenda anti-vida e anti-famíila


postado em 07/04/2016 15:02 / atualizado em 07/04/2016 16:02

(foto: Câmara dos Deputados/Divulgação )
(foto: Câmara dos Deputados/Divulgação )
O Movimento Legislação e Vida, coordenado pelo professor Hermes Rodrigues Nery, requer em carta aberta aos Bispos brasileiros, posição sobre o que considera danos do PT na igreja e na sociedade. Para o movimento, o partido promove uma agenda antivida e antifamília, a agenda abortista, e tem um modus operandis (exposto pela Operação Lava-Jato) que em nada condiz com a doutrina social da Igreja. A petição pode ser assinada pela plataforma da Citizen Go (clique aqui). O Professor Hermes Nery conversou com o Estado de Minas.

Em carta aberta aos bispos do Brasil, o senhor fala sobre a agenda anticristã adotada pelo Partido dos Trabalhadores. Como é a aplicação da ideologia de gênero e orientação sexual no Plano Nacional de Educação (PNE)?

De modo mais intenso, politicamente, aqui no Brasil esta agenda está sendo implementada pelo PT, de modo especial a partir do governo da Dilma Rousseff [é claro que iniciada com Fernando Henrique Cardoso, que com recursos da Fundação Ford para as atividades do CEBRAP, aonde lá foram gestadas as estratégias de implantação da agenda, desde os primeiros passos da chamada “redemocratização” etc.]. É no campo da Educação que o PT buscou mais intensamente disseminar a agenda anti-vida e anti-família, especialmente no afã de incluir a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação (PNE), e depois nos demais planos estaduais e municipais. A ideologia de gênero no PNE foi rechaçada pelo Congresso Nacional, em 2014, graças à mobilização de muitos grupos cristãos. E continuou sendo combatida, com êxito, nas demais instâncias. Em Minas Gerais, há muitos grupos ativos, que atuaram muito eficazmente. O representante do Movimento Legislação e Vida em BH é o Adrian Paz, aonde temos ações e mobilizações em vários estados do Brasil.

Qual é a sua posição sobre a ideologia de gênero?

Como católico, não é possível aceitar uma ideologia que atenta contra a dignidade da pessoa humana, em todos os aspectos. Falei sobre o assunto na Comissão de Educação, na Câmara dos Deputados, em agosto do ano passado, explicando que na verdade o que está havendo é uma “perversão dos direitos humanos”, perversão esta que desde o Relatório Kissinger, nos anos 70, se buscou “disfarçar as políticas de controle de natalidade sob a aparência de direitos humanos”, através de uma ideologia que é a “mais radical da história”, de falsas premissas filosóficas, a defender com obsessão a irrealidade, a argumentação ideológica de que “toda pessoa poderia construir livremente seu sexo psicológico ou gênero”. O terrível caso dos irmãos Reimer comprovam científica e historicamente a falácia e o horror de tal ideologia. Apresentei também o estudo científico do Prof. Massimo Gandolfini, “Genética e neurobiologia da diferença sexual”5, apresentado em Perugia (Itália), em Congressos sobre “Identidade de Gênero – aspectos sociais, médicos, bioéticos e jurídicos”, onde ele mostra claramente as diferenças e características do cérebro humano – do homem e da mulher, confirmando empiricamente que há sim, as distinções sexuais, homem e mulher, que há distinções muito específicas de identidade masculina e feminina, e que, de modo algum, é evidentíssimo, que estas distinções não são jamais construções sociais.

O que representa a inclusão da ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação de estados e municípios?

Os objetivos dos que querem implantar a ideologia de gênero são a destruição da família e a secularização, para alcançar os meios pelos quais se toleram alguma forma de depravação e violência sexual em relação às crianças. Por isso as crianças são as maiores vítimas dessa terrível ideologia, as que já estão expostas a situações de abusos decorrentes do que tal ideologia permite, são as que estão mais vulneráveis e, muitas vezes, as que não tem a quem recorrer, porque, no afã de destruir a família, o Estado acaba sendo o agente opressor da família, quando deveria ser o grande defensor daquela que é a primeira e principal instituição humana.

Qual será o impacto dessa aprovação nas famílias?

Hoje vemos mais intensamente uma guerra declarada contra a família, em que as forças da cultura da morte agem com mais convergência e uma ampla gama de recursos (inclusive públicos), para com mais ousadia e até insanidade, fazer a impostação de uma ideologia contrária à humanidade, ao que é verdadeiramente humano em cada pessoa. Com esta agenda, o governo do PT (de modo mais intenso) se volta contra o povo brasileiro, que não a aceita naturalmente, mas o governo ignora o que o povo pensa e sente a respeito, e quer praticar descaradamente a doutrinação marxista-liberal do feminismo radical nas escolas, sem levar em conta o direito dos pais em educar seus filhos, agindo contra portanto a autoridade dos pais, autoridade esta que a ideologia de gênero quer minar.

Na Carta Aberta aos Bispos do Brasil, o senhor fala que a CNBB se omite quanto a influência do lulopetismo dentro da Igreja, tendo em vista o governo do PT promover a agenda antivida e antifamília, a agenda abortista. Por quê?

A omissão não está em reconhecer a perversão da ideologia de gênero. A CNBB publicou uma nota contra a inclusão da ideologia de gênero nos planos de educação em junho do ano passado. A omissão (que não é de todos os bispos, mas da parte do clero mais progressista) é em reconhecer os efeitos nefastos do lulopetismo dentro da Igreja (especialmente em pastorais sociais, da terra, da juventude etc.), imbuído dos equívocos da teologia da libertação, cujos danos na dimensão da fé e da política, são evidentíssimos. Infelizmente, o lulopetismo grassou na igreja e na sociedade, chegando aonde chegou, por omissão de alguns bispos que foram seduzidos pelo populismo e pela demagogia.

Quais são os danos causados, aos quais o senhor refere, causados pelo Partido dos Trabalhadores à sociedade brasileira.

Os efeitos de tais danos aí estão, escancarados pela Operação Lava Jato, que mostrou um modus operandi de prática política que não condiz com os princípios e valores da doutrina moral e social da Igreja, por isso , os católicos esperam uma palavra mais clara dos Bispos (menos dúbia e menos tíbia) sobre os propósitos de “um partido revolucionário, de ideário socialista, aliado de governos comunistas e ditatoriais (especialmente Cuba), que emergiu com a bandeira da ética para chegar ao poder e depois dilapidar o estado brasileiro, aparelhando as instituições e implementando a agenda antivida e antifamília das fundações internacionais”, como expusemos na Carta.


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