
“Evitem levar seus filhos a praia este final de semana, porque vai todo mundo armado caçar a bandidagem”. O aviso é de um membro do grupo “Alerta de assaltos – Zona Sul”, criado na rede social Facebook. A página é destinada a relatar assaltos ou situações de risco na região, mas, depois dos arrastões ocorridos no fim de semana, alguns membros se uniram dispostos a combater, sozinhos, a violência e a criminalidade nas praias da orla carioca. “Comprarei meu bastão para autodefesa. Não quero agredir ninguém, mas, se preciso for, irei usar”, afirmou outro membro.
No último fim de semana, arrastões e assaltos foram registrados em vários pontos da Zona Sul da cidade. Quase 30 suspeitos foram detidos. A polícia alega que somente na região do Arpoador, mais 40 policiais foram enviados, mas, mesmo assim, o número não foi suficiente para impedir as ações criminosas. Na maioria das postagens do grupo, o tom é de indignação com o poder público.
Um dos textos mais curtidos é o de um homem que se identifica como policial civil e pede que os moradores não forneçam imagens de câmeras de segurança à polícia. “Nós cidadãos de Copacabana, Ipanema, Leblon, Botafogo, bairros assolados por esses marginais, temos que nos unir! Todos os moradores devem procurar os síndicos de seus prédios e pedir que em caso de violência contra esses marginais, se alguém atirar e matar um merda desse, não forneçam imagens das câmeras à polícia!”, diz a mensagem.
O homem pede ainda que, nestes casos, os moradores apaguem as imagens imediatamente, já que, segundo ele, ninguém é obrigado a fornecê-las. “Deem ajuda a nós policiais que queremos fazer algo e não podemos por medo de uma política podre e de incentivo ao crime! A sociedade não gosta de nós policiais mas é de nós que vocês precisam! Nos ferraram por anos e a sociedade está pagando por isso! Desliguem suas câmeras e nos deixem agir!”, pede.
Antes de concluir, ele diz ainda que “juntar um grupo de lutadores com tacos de baseball não é má ideia”. Até o fechamento desta matéria, o texto tinha mais de mil curtidas e quase 500 comentários, entre os que apoiavam a atitude do policial e os que discordavam do posicionamento dele. O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, declarou nesta segunda-feira, temer linchamentos e cobrou o apoio de outros órgãos do governo.
Paes diz que não vai tratar delinquentes como problema social
O prefeito Eduardo Paes fez nesta terça-feira, 22, um discurso duro contra os arrastões na cidade, que atribui à "falta de autoridade" dos órgãos públicos. "Nós não vamos tratar delinquentes e marginais, que vão para as ruas fazer baderna, como problema social. É um problema de segurança pública. O clima de terror que se espalha não é privilégio dos moradores da zona sul. Atrapalha todos os cariocas que frequentam as praias da cidade. Não estamos tratando da imagem internacional da cidade ou de turistas. A praia é o espaço mais democrático do Rio", afirmou Paes, em entrevista convocada para tratar exclusivamente do assunto.
O prefeito rechaçou associação entre a condição econômica dos jovens autores de roubos e de sua conduta. "Isso é uma postura desrespeitosa com as pessoas mais pobres. Eu não vou colocar assistente social para conversar com um sujeito com pau na mão. Não nos cabe fazer antropologia e sociologia. Não vamos justificar (os assaltantes) com os problemas sociais do Brasil. Você não vê isso acontecer na Avenida Paulista nem nas praias de Pernambuco ou de Alagoas. Isso é falta de autoridade. Autoridade não está se fazendo presente", afirmou Paes.
Ainda esta tarde, representantes da Guarda Municipal vão se reunir com o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, para tratar da questão dos arrastões. Segundo Paes, a Guarda Municipal irá apoiar a polícia "dentro de suas limitações". "Não é possível ter um jovem trepado no teto do ônibus e dizer que isso é vulnerabilidade social. Lá em casa, não é."
Com Agência Estado
