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Estado de Minas

Investigação do acidente que matou Campos será de longo prazo

Buscas são encerradas, mas apuração das causas do acidente vão se estender por bem mais tempo


postado em 17/08/2014 06:00 / atualizado em 17/08/2014 08:43

Marcelo da Fonseca

As buscas por restos mortais e fragmentos do avião que caiu em Santos, no acidente que matou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e mais seis pessoas, terminaram ontem, mas as investigações para entender os motivos da queda do jato continuarão nas próximas semanas. Sem o áudio da caixa-preta com a conversa entre os pilotos e a torre de comando, os peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), consideram fundamental remontar pelo menos parte do avião para identificar possíveis problemas mecânicos e outras razões para a queda. Agentes da Polícia Federal e peritos da Aeronáutica continuam o mapeamento em 3D do local do acidente para desvendar como foram os choques da aeronave com prédios e casas a poucos metros do solo.

Ontem, no quarto dia de investigações e buscas por pistas, cerca de 30 agentes da PF e da Aeronáutica trabalharam com o auxílio de técnicos norte-americanos especialistas em desastres aéreos. Cinco peritos do Canadá e dos Estados Unidos, com dois técnicos também dos EUA, que trabalham para a empresa Cesna, proprietária do jato, avaliaram peças já recolhidas e registraram dados sobre os destroços do avião. Segundo a FAB, a presença de peritos de outros países atende a uma determinação internacional que dita que, durante investigações de acidentes aéreos, devem comparecer os representantes da agência de investigação do país fabricante da aeronave e do país fabricante do motor.

Desde as 6h de ontem até o meio-dia, cerca de 16 quilos de pequenos fragmentos do avião foram localizados pelas equipes de busca, além de uma grande parte da asa esquerda do jato. O Corpo de Bombeiros pediu aos moradores de imóveis vizinhos à área onde caiu o avião que avisem a Polícia Militar caso encontrem fragmentos dos destroços da aeronave em outros pontos do Bairro Boqueirão, em Santos. Algumas peças foram encontradas a cerca de 130 metros de distância do local da queda e outras partes podem ter se espalhado pela região. As buscas por destroços no terreno onde ocorreu a queda da aeronave foram encerradas pelos bombeiros às 13h45 de ontem. “Agora que acabou, o sentimento é de dever cumprido”, afirmou na tarde de ontem Rodrigo Eulálio, primeiro-tenente do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

A ausência do áudio com as conversas entre os pilotos do jato e a torre de comando do aeroporto de Guarujá gerou críticas de especialistas em aviação. Na sexta-feira, depois de desmontar a caixa-preta, os peritos do Cenipa informaram que os dados não eram referentes ao voo que aconteceu entre o Rio de Janeiro e Santos. Segundo o professor de ciências aeronáuticas da PUC do Rio Grande do Sul, Fernando Ribeiro, são raros os casos de gravadores que param de funcionar durante um voo. “Se o gravador de voz estava com defeito, o avião não podia ter decolado. A aeronave voou sem estar em conformidade com o regulamento. A fita de gravação é contínua e registra as últimas conversas de dentro da cabine, justamente para auxiliar nas investigações em casos de acidente”, avaliou Ribeiro.

Perguntas que guardam respostas

» O avião pegou fogo antes de cair?
Moradores afirmaram ter visto uma “bola de fogo” caindo do céu, mas somente a investigação da Aeronáutica poderá confirmar se houve algum problema no ar. Segundo especialistas, o depoimento de testemunhas de quedas de avião quase sempre é impreciso.

» Até que ponto o tempo ruim prejudicou o voo?
As condições climáticas podem ter contribuído para o acidente e dificultado o processo de arremetida. Porém, a Aeronáutica ressalta que o tempo ruim não deve ter sido a única causa do acidente. Falhas mecânicas do avião ou falhas humanas não são descartadas.

» Qual a possibilidade de falha humana?
Os peritos da Aeronáutica não descartam a chance de que pode ter havido desorientação espacial dos pilotos. Com a visibilidade ruim por causa de nuvens ou neblina, os pilotos podem achar que o avião está em uma direção ou altura, sendo que está em outra.

» Os pilotos estavam cansados?
Essa hipótese deve ser apurada pelos técnicos do Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) e pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). Em 8 de agosto, cinco dias antes do acidente, o piloto Marcos Martins postou em uma rede social uma mensagem se dizendo cansado. “Cansadaço. Voar, voar e voar. E amanhã tem mais”, postou Martins.

» Em qual posição a aeronave caiu?

A investigação dos destroços e nas casas vizinhas ao local do acidente aponta que o avião despencou, levando de 15 a 20 segundos para atingir o solo. Especialistas mencionaram que pode ter ocorrido o “estol da asa”, que significa uma queda pela perda de sustentação ligada ao ângulo do avião. Neste caso, as asas estariam na posição vertical.

 

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