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Estado de Minas

Após pressão, líder de PMs troca de cela na Bahia

Policial vereador que comandou greve foi transferido depois de alegar 'desespero' por dividir espaço com 16 presos perigosos


postado em 21/04/2014 06:00 / atualizado em 21/04/2014 07:33

 

Salvador – Preso desde sexta-feira em Brasília, o líder da mais recente greve da Polícia Militar da Bahia, Marco Prisco, foi transferido ontem para uma cela individual no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A mudança ocorreu após sua defesa divulgar uma nota, às 13h, afirmando que Prisco estava "desesperado" com as condições do cárcere. Segundo a Aspra – a associação de praças baianos que o soldado e vereador em Salvador pelo PSDB lidera –, ele estava detido em "prisão comum, com 16 presos de alta periculosidade, que respondem por crimes diversos”. Logo depois de o texto ser enviado à imprensa, o vice-presidente da Aspra, Fábio Brito, disse que o vereador já não corria mais risco.

Além de divulgar a nota, a Astra mobilizou uma força-tarefa para comunicar quatro políticos da Bahia sobre as condições da prisão de Prisco: a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon (PSB); o prefeito da capital baiana, ACM Neto (DEM); o presidente da Câmara Municipal de Salvador, deputado estadual Paulo Câmara (PSDB); e o deputado estadual Capitão Tadeu (PSB), que também é policial. "Os políticos entraram em contato com Brasília e conseguiram tirá-lo daquele risco iminente de morte. Foi uma irresponsabilidade colocar um líder da PM no mesmo espaço que presos comuns", disse Brito.

Prisco teria comunicado os perigos do cárcere a um dos seus advogados. Havia o temor de ele ser reconhecido pelos presos. Na ala para onde o vereador foi transferido  estão detidos somente outros policiais e ex-policiais.

A defesa do vereador aguarda a decisão do pedido de habeas corpus, que é analisado pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é que o processo seja julgado ainda no plantão do feriadão, que termina hoje. Segundo os advogados, Prisco não está se alimentando na Papuda porque "possui problema crônico de estômago e coração" e precisa de dieta especial.

O Ministério Público Federal move uma ação penal que resultou na denúncia de Prisco e de outras seis pessoas sob acusação de crimes cometidos durante greve anterior da PM baiana, que durou 12 dias, entre janeiro e fevereiro de 2012. A Procuradoria reconheceu, contudo, que pediu a prisão dele para "garantir a ordem pública" diante da iminência da nova greve.  

Segurança O policiamento voltou ao normal na capital baiana, mas as tropas das Forças Armadas permanecerão na cidade até a noite de hoje. Segundo a Polícia Civil, os homicídios registrados na Grande Salvador diminuíram. Das 19h de sábado até as 5h20 de domingo, foram notificadas três mortes na capital e nos municípios da região metropolitana. É o menor número de assassinatos nesse período desde a noite de quarta-feira, um dia depois do início da greve da Polícia Militar do estado, quando foram registradas 24 ocorrências. A quantidade de casos está dentro da média para as noites de sábados na região. Na semana passada, foram notificados dois homicídios. Na retrasada, cinco.

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