Genebra, 08 - Peter Higgs e François Englert são os vencedores do prêmio Nobel da Física por terem identificado, há 50 anos, partículas que explicam a formação do Universo e a vida como a conhecemos hoje. Trata-se do bóson de Higgs, teoria que os cientistas haviam formulado nos anos 60 e que apenas no ano passado, depois de gastar US$ 8 bilhões, é que testes conseguiram provar suas teses e identificar o que seria o bóson. Para o Nobel, o prêmio vai para uma descoberta que abriu uma nova dimensão da física e que seria equivalente na ciência apenas ao descobrimento do DNA ou das teorias de Isaac Newton.
O responsável por comprovar que Higgs e Englert estava certo foi o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), que anunciou em Genebra que identificou uma nova partícula subatômica que poderia ser o bóson de Higgs. A revelação foi a mais importante prova da existência da peça que faltava para a teoria que explica a formação do Universo, redefinindo o mundo da ciência. Mas seu real valor, para muitos no Cern, é de que abre uma nova era desconhecida para a física.
A teoria - conhecida como Modelo Padrão e que explica o comportamento das forças e peças na natureza - indica que essa seria a partícula que garante massa a todas as demais e, portanto, central na explicação do Universo. Conhecida vulgarmente como "Partícula de Deus", tratava-se da última fronteira não resolvida pela física.
Nos anos 60, o cientista Peter Higgs desenvolveu a teoria e indicou que uma energia invisível preencheria um vácuo no espaço. Ao se moverem, partículas são puxadas uma contra as outras, dando massa a um átomo. Já as partículas da luz não sentem essa atração e não contam com massa. Sem a particular responsável por unir as demais, átomos não conseguiram ser formados no início do Universo e a vida como a conhecemos hoje simplesmente não existiria.
Ao apresentar sua tese, nos anos 60, Higgs foi alvo de duras críticas, com comentários de que a pesquisa seria irrelevante que “nada adicionava” à física. Levaria meio século para sua comprovação. Ao mesmo tempo, Englert chegava à mesma conclusão, em uma pesquisa separada.
O problema é que suas partículas hipotéticas - hoje conhecido como o bóson de Higgs - jamais foram encontradas, pelo menos até o Cern desenvolver seu acelerador de partículas. Depois de acumular dados a partir do maior acelerador de partículas do mundo, construído entre a Suíça e França e que custou US$ 8 bilhões, os cientistas praticamente confirmam a existência de sinais do bóson. Dois experimentos diferentes - os detectores Atlas e o CMS - se lançaram na corrida pela partícula no Cern, promovendo 500 trilhões de choques de átomos a uma velocidade recorde. A esperança era de a energia usada e a capacidade dos computadores de detectar os eventos permitiria visualizar o Higgs.
No Cern, cientistas insistem que o resultado final e a revelação sobre o “Santo Graal” da física só teria como rival a descoberta da estrutura do DNA, há 60 anos. Outros preferem comparar com o impacto da teoria da gravidade, de Isaac Newton, em 1687. Quanto às aplicações, todos admitem que nenhum cientistas tem hoje ideia do como a descoberta será usada e que, provavelmente, outros 50 anos se passarão para que ela tenha um uso prático. Esse foi o caso do próprio DNA ou das ondas eletromagnéticas.
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'Partícula de Deus' leva o Nobel de Física
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