(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Vinte mil mulheres apanham todo dia no Brasil

Quase todos os agressores têm vínculo afetivo com as vítimas, segundo denúncias ao serviço 180 da central de atendimento


postado em 08/08/2012 07:25 / atualizado em 08/08/2012 07:40


Quase 20 mil mulheres (59% das 32 mil que relataram casos de violência no primeiro semestre deste ano) são agredidas diariamente em casa. Os números fazem parte de um balanço da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, vinculada à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Em 70% dos casos, o agressor é o marido ou companheiro da vítima. E se forem considerados os demais vínculos afetivos – como ex-marido, namorado e ex-namorado – o percentual vai a 89%.

Ainda de acordo com os números, em 66% dos casos de agressão os filhos e filhas presenciam a cena. Dos mais de 2 milhões de atendimentos registrados desde 2006, 329.256 foram enquadrados na Lei Maria da Penha.

“O número é alarmante, no entanto quero reforçar que a Lei Maria da Penha possibilitou visibilidade maior dos crimes, que até seis anos atrás eles não eram tão visíveis, apareciam só nas páginas policiais e agora estão bastante divulgados, afirmou a ministra Eleonora Menicucci. Os dados foram apresentados durante a abertura do encontro “O papel das delegacias no enfrentamento à violência contra às mulheres”.

Criado em 2005, o serviço oferece “escuta” e “acolhida” às mulheres em situação de violência. De acordo com a secretaria, somente em 2012, foram 388.953 atendimentos. A média diária é de 2.150 por dia. Em seis anos de vigência da Lei Maria da Penha, houve 2.714.877 atendimentos. A violência física ocorreu em 196.610 casos relatados. Dos atendimentos realizados neste ano, 25.232 mulheres registraram qual foi o “risco sofrido”. Do total, 52% apresentaram risco de morte e 45,6% de espancamento.”

MINAS

O estado registra uma média de 280 denúncias a cada 100 mil habitantes neste ano, ficando em 14º lugar no país. “Na esfera penal, a Lei Maria da Penha passou a prescrever penas mais severas. E houve um avanço também nas medidas protetivas”, avalia o juiz Elexander Camargos Diniz, da 15ª Vara Criminal de BH. Ele considera que a lei trouxe mais publicidade e incentivou as mulheres a denunciar.

Em BH, 43.258 processos relativos à lei transitam em três varas especializadas. No restante do estado esse tipo de ação corre nas varas criminais comuns. Na 15ª Vara, uma das três no estado que contam com um centro integrado de atendimento à mulher, uma vítima, de 49 anos, esperou na tarde de ontem enquanto a advogada protocolava um documento. Ela revelou uma história antiga de ameaças e medo. Recém-divorciada, ela contou que obteve em abril uma medida protetiva que estabelece que seu ex-marido permaneça a 500 metros de distância dela.

“O problema é que ele mora no andar de baixo. Se por algum motivo chamo a polícia, como fui orientada, ele corre para dentro de casa”, informou. Quando ela propôs que o marido saísse da casa, que é uma herança de família, ele ameaçou matá-la. “Tenho duas filhas, elas eram pequenas na época. Eu fiquei com medo”, contou. (Com agências)


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)