A proporção de motoristas que recusam o teste do bafômetro dobrou nos últimos quatro meses nas ruas e avenidas do Rio. Entre fevereiro e junho deste ano, 10,5% dos condutores abordados nas blitze da lei seca montadas no Estado se negaram a realizar o exame. A média de recusas registradas nos oito meses anteriores era de 5,2%. Na lista de quem recusou estão o deputado e ex-jogador Romário, o senador Aécio Neves e o ex-deputado Índio da Costa, por exemplo.
Dados das operações realizadas nos últimos 12 meses mostram que cada vez mais motoristas que consumiram bebida alcoólica recusam o exame do bafômetro, com o objetivo de evitar as punições. Ao negar o teste, eles são multados e correm o risco de ter a carteira de habilitação suspensa por 1 ano, mas escapam da pena de prisão aplicada a condutores com alta concentração de álcool no sangue.
Condutores que evitam realizar o teste sofrem automaticamente as mesmas punições impostas aos condutores flagrados com até 0,6g de álcool por litro de sangue, pois as autoridades fluminenses entendem que esses motoristas admitem o consumo de álcool. Para esses casos, a Lei 11.705 determina aplicação de multa de R$ 957 70 e suspensão do direito de dirigir por um ano - aplicada após processo administrativo no Detran local.
Sem provas contra si, no entanto, os motoristas que recusam o teste do bafômetro podem tentar recorrer das punições administrativas e ainda evitam sofrer processos criminais, aplicados contra condutores com concentração de álcool superior a 0,6g por litro de sangue. A punição prevista é de detenção de até 3 anos, além de multa e suspensão da carteira de habilitação.
Segundo os responsáveis pelas blitze da lei seca no Rio, a taxa de recusa é maior em operações realizadas no interior do Estado, onde a fiscalização é menos constante e os motoristas mantêm o costume de consumir bebida alcoólica.
