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Estado de Minas FACT-CHECKING

Checamos: Argentina e Venezuela pagam auxílio emergencial e Cuba cobre salários durante a pandemia

Diferentemente do que afirmam publicações compartilhadas milhares de vezes em redes sociais, esses países têm dado alguma garantia em dinheiro para a população


17/09/2020 19:01 - atualizado 24/09/2020 09:04

Publicações compartilhadas milhares de vezes em redes sociais desde meados de setembro asseguram que Cuba, Argentina e Venezuela não possuem qualquer subsídio financeiro para ajudar sua população durante a pandemia de COVID-19, ao contrário do auxílio emergencial brasileiro.

No entanto, todos estes países implementaram alguma garantia: na Argentina e na Venezuela, paga-se um bônus e em Cuba, o governo garante o pagamento de salários.

“Auxílio Emergencial. Cuba: 00,00. Argentina: 00,00. Venezuela: 00,00. Brasil: 600,00. Onde estão os socialistas tão ‘preocupados’ com os pobres????”, diz o texto compartilhado mais de 6.500 vezes no Facebook (1, 2, 3, 4) ao menos desde o último dia 9 de setembro.

A alegação, publicada também no Twitter, circula dias após o presidente Jair Bolsonaro anunciar a prorrogação do auxílio emergencial pago desde 9 de abril a trabalhadores informais, microempreendedores e desempregados afetados pela pandemia de covid-19.

O valor, inicialmente de R$ 600 mensais, foi reduzido em 1º de setembro para quatro parcelas de R$ 300, que serão pagas até dezembro, o que desencadeou críticas da oposição.

Não é verdade, contudo, que os países citados nas publicações viralizadas não estejam ajudando financeiramente sua população durante a crise do novo coronavírus.

Argentina


Na Argentina, o “Ingreso Familiar de Emergencia” (IFE), um bônus de 10.000 pesos - o equivalente a R$700 - começou a ser pago pelo governo no último dia 21 de abril, a trabalhadores informais ou desempregados de entre 18 e 65 anos que não possuíam aposentadorias, pensões ou outros tipos de rendas fixas.

O benefício tem como objetivo “compensar os setores mais vulneráveis das consequências econômicas da quarentena imposta devido à emergência sanitária criada pelo novo coronavírus”, como detalhado pela Administração Nacional de Previdência Social da Argentina (ANSES).
Captura de tela feita em 16 de setembro de 2020 de uma publicação no Facebook
Captura de tela feita em 16 de setembro de 2020 de uma publicação no Facebook

O valor, planejado inicialmente como uma parcela única, foi prorrogado pelo governo em 1º de junho, visando alcançar as “quase 9 milhões de pessoas que o receberam da primeira vez”, ou cerca de 20% da população, destacou o secretário de Política Econômica Argentina, Haroldo Montagu.

Em agosto, o benefício foi renovado novamente, com o terceiro pagamento começando no dia 10.

Segundo o governo, apenas a primeira parcela do IFE teria evitado um aumento de entre 4 e 7 pontos percentuais da pobreza no país.

Venezuela


De maneira semelhante, o governo venezuelano implementou, em 24 de março, o bônus “Quédate En Casa” (Fique em Casa, em tradução livre), “como complemento salarial, em apoio aos trabalhadores do setor privado, principalmente das pequenas e médias empresas, e de instituições em geral que paralisaram o trabalho em cumprimento da quarentena social e coletiva”.

O auxílio, que visa também trabalhadores autônomos, alcançaria, segundo o governo, mais de 6 milhões de pessoas, pouco mais de 20% da população. Após o primeiro pagamento, o bônus foi renovado em abril, maio, junho, julho e agosto.
%u201CFechamos definitivamente. 80 dias fechado. Foi impossível de sustentar. Obrigada a todos por estes anos%u201D, diz cartaz em Buenos Aires, em 17 de junho de 2020
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O governo venezuelano não divulga o valor do benefício mas, segundo reportado pela mídia local, o bônus foi de 550.000 bolívares em maio, o equivalente a cerca de 2,85 dólares segundo o câmbio oficial na data em que a matéria foi publicada.

O país tem sofrido uma hiperinflação - chegando a 4.099% em 12 meses, até julho - e uma consequente desvalorização da moeda local.

Em março, o governo também anunciou que iria assumir as folhas de pagamento das pequenas e médias empresas “como parte dos planos estabelecidos pelo Executivo para proteção do povo venezuelano em meio ao surto de covid-19 no país”. A medida foi ratificada em junho deste ano.

Cuba


Em Cuba, frente à paralisação das atividades comerciais devido à pandemia, o governo recomendou que os empregadores priorizassem a realocação de seus trabalhadores em outras atividades, dentro ou fora da entidade.

No entanto, caso isso não fosse possível, o governo anunciou no final de março que iria garantir, no setor público, o pagamento de 100% do salário básico dos trabalhadores durante o primeiro mês, e após este período, de 60% da remuneração habitual durante todo o período de paralisação.

Cuba fornece, ainda, desde 1962, uma porção mensal de alimentos a toda a população. O benefício foi mantido durante a pandemia.

Em resumo, tanto a Argentina, quanto a Venezuela têm pago auxílios financeiros para ajudar parte da população durante as paralisações impostas devido à pandemia de covid-19. Cuba não possui um bônus deste tipo, mas têm garantido ao menos 60% dos salários de seus trabalhadores, além de fornecer uma porção de alimentos a toda a população.


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