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Estado de Minas OCEANO PACÍFICO

Erupção de vulcão em Tonga foi mais potente que bomba atômica, diz Nasa

A erupção no início de janeiro banhou o país do Pacífico com uma chuva de cinzas e desencadeou um tsunami


25/01/2022 08:03 - atualizado 25/01/2022 09:13


Danos à costa de Tonga
Imagens da costa de Tonga mostram danos a estruturas e árvores após o tsunami (foto: Consulado do Reino de Tonga)

A erupção vulcânica em Tonga que desencadeou um tsunami foi centenas de vezes mais potente que a bomba atômica que os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, diz a Nasa, a agência espacial americana.

A erupção "obliterou" uma ilha vulcânica ao norte de Nuku'alofa, capital de Tonga, disse a Nasa. O governo de Tonga diz que mais de quatro quintos da população foi afetada pelo tsunami e pelas cinzas. As autoridades confirmaram a morte de três pessoas pelo tsunami na semana passada.

Antes da erupção, a ilha vulcânica Hunga Tonga-Hunga Ha'apai era formada por duas ilhas separadas, unidas por novas terras formadas em 2015. A Nasa diz que a erupção foi tão poderosa que toda a nova terra desapareceu, junto com "grandes pedaços" das duas ilhas mais antigas.

A emissão generalizada de cinzas vulcânicas, gases e partículas da erupção se tornou um grande desafio para as autoridades tonganesas. Imediatamente após a erupção e o tsunami, havia temores de que as fontes de água tivessem sido poluídas pela espessa camada de cinzas, aumentando o risco de doenças como cólera e diarreia.

No entanto, as autoridades informaram que testaram a água subterrânea e da chuva nos últimos dias e que elas estão seguras para beber. Mas as cinzas vulcânicas finas e as emissões continuam a representar um risco para a saúde pública. A exposição a isso pode causar dificuldades respiratórias, afetar o sistema cardiovascular e irritar pulmões, olhos e pele.

Dezenas de pessoas perderam casas

O governo de Tonga disse que 62 pessoas em Mango, uma das ilhas mais afetadas, tiveram que ser realocadas para a ilha de Nomuka "após perderem suas casas e todos os seus bens pessoais".

O governo acrescentou, porém, que muitos desses residentes poderão ter que ser novamente realocados para a ilha principal de Tongatapu, por causa da escassez de comida e suprimentos. Acrescentou ainda que havia cerca de vinte feridos - a maioria de Nomuka.


equipes da da Cruz Vermelha entregam suprimentos
Dezenas de pessoas perderam suas casas no tsunami e o hospital de Nomuka foi varrido pelas águas (foto: TONGA RED CROSS SOCIETY)

Equipes de resgate montaram um hospital de campanha lá, porque o hospital que havia em Nomuka foi destruído pelo tsunami.

Navios e aviões que transportam ajuda estrangeira estão chegando a Tonga desde a semana passada, depois que os moradores finalmente conseguiram limpar as cinzas da única pista do aeroporto da ilha.

A Nova Zelândia e a Austrália lideram a resposta internacional, usando sua força aérea e embarcações para levar suprimentos, incluindo água, alimentos, kits de higiene e barracas, bem como equipamentos de tratamento de água e reparo de telecomunicações.


Tonga
Por toda parte, há rastros de destruição em Tonga (foto: Tonga Red Cross Society/Reuters)

O arquipélago remoto ficou isolado por cinco dias porque explosões cortaram o único cabo marítimo de fibra ótica que levava internet à ilha. Uma linha telefônica irregular foi restaurada na semana passada, permitindo "chamadas internacionais limitadas".

Mas mesmo a comunicação entre Tongatapu, a ilha principal, e as demais ilhas continua sendo "um enorme desafio", disse o comunicado do governo tonganês.

Eles acrescentaram que um navio deveria chegar esta semana para consertar o cabo de internet. As empresas haviam estimado anteriormente que o cabo poderia levar até quatro semanas para ser reparado.

A chegada de ajuda externa acelerou enormemente o fluxo de informações da ilha atingida. Devido aos temores da covid-19, o trabalho de ajuda ainda está sendo realizado por moradores locais por meio de grupos como a Cruz Vermelha. Tonga, que é efetivamente livre de covid-19, solicitou que nenhum funcionário estrangeiro desembarcasse no país para evitar um surto.

Mas o representante da ONU na região, Sione Hufanga, disse à BBC que isso pode mudar devido à escala dos danos.

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