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Estado de Minas CIDADE DO VATICANO

Bento XVI retifica declarações sobre reunião dedicada a padre pedófilo na Alemanha

Pelo menos 497 pessoas sofreram abusos na arquidiocese de Munique-Freising, em um período de quase 74 anos


24/01/2022 11:40 - atualizado 24/01/2022 12:24

Papa Bento XVI em fundo iluminado
(foto: Pierre-Philippe MARCOU / AFP)
O papa emérito Bento XVI admitiu nesta segunda-feira(24) que participou de uma reunião fundamental em 1980 sobre um padre alemão acusado de abuso infantil, ao contrário do que disse aos autores de um relatório na Alemanha que o acusa de encobrir vários padres.

Em uma carta assinada por seu secretário particular, Monsenhor Georg Gänswein, divulgada nesta segunda-feira pela agência católica alemã KNA e pelo portal de imprensa do Vaticano, Vatican News, Bento XVI "quer esclarecer que, ao contrário do que foi dito aos autores do relatório, participou da reunião de 15 de janeiro de 1980".

As declarações dadas aos autores do relatório, publicado em 20 de janeiro e preparado pelo escritório de advocacia Westpfahl Spilker Wastl (WSW), estavam "factualmente incorretas", diz Gänswein.

Bento XVI enfatiza que não foi por "má-fé" e que foi um "erro", o "resultado de uma omissão na edição de suas declarações". O papa emérito de 94 anos pede "perdão por esse erro".

Pelo menos 497 pessoas sofreram abusos na arquidiocese de Munique-Freising, em um período de quase 74 anos (de 1945 a 2019), segundo um resumo do relatório. A maioria das vítimas era do sexo masculino e 60% tinham entre 8 e 14 anos.

De acordo com o documento, o papa emérito não fez nada para impedir que vários padres abusassem sexualmente de menores na arquidiocese alemã que liderou nos anos 1980.

Os advogados consideram que Bento XVI, que foi arcebispo de Munique e Freising entre 1977 e 1982, não agiu contra quatro clérigos suspeitos.

Dois desses casos envolvem religiosos que cometeram vários abusos comprovados pelos tribunais, mas foram autorizados a continuar seus deveres pastorais, de acordo com o relatório.

Os autores do relatório disseram estar "convencidos" de que Joseph Ratzinger, nome de batismo do papa emérito, estava ciente do passado pedófilo do padre Peter Hullermann.

O padre foi acusado em 1980 de abuso sexual grave de menores, mas as autoridades eclesiásticas o transferiram para a Baviera, onde, apesar da terapia psiquiátrica, continuou com os abusos. Em 2010, ele foi finalmente forçado a se aposentar.

Bento XVI destacou que "não foi tomada nenhuma decisão sobre a atribuição de uma missão pastoral ao sacerdote em questão".

"Apenas o pedido de acomodação durante sua terapia em Munique foi aceito", disse ele.

O papa emérito, que reside no Vaticano desde sua renúncia em 2013 e que está com problemas de saúde, não reagiu diretamente ao conteúdo do relatório.

Por meio de seu secretário particular, ele expressou "choque e vergonha" pela pedofilia na igreja após o relatório e garantiu que "ainda não havia lido o relatório de 1.000 páginas" que o envolve.

O Vaticano reiterou sua "vergonha" e "remorso" pelo abuso sexual de crianças na Igreja, após a publicação do relatório.


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