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Estado de Minas MEIO AMBIENTE

Aves são resgatadas no Peru após derramamento de óleo atribuído a vulcão

Tempestade causada pela erupção em Tonga provocou acidente com navio petroleiro da empresa espanhola Repsol


23/01/2022 17:10 - atualizado 23/01/2022 20:39

Esta foto divulgada pelo Zoológico Parque de las Leyenzas mostra um cormorão contaminado por óleo antes de receber tratamento médico em Lima, em 20 de janeiro de 2022
(foto: PARQUE DE LAS LEYENZAS ZOO/AFP)

Um zoológico de Lima está tentando salvar aves marinhas ameaçadas de extinção após um derramamento de petróleo na costa central do Peru, atribuído a uma tempestade causada por uma erupção vulcânica em Tonga.

Mais de 40 aves, incluindo os pinguins de Humboldt, uma espécie ameaçada de extinção, foram resgatadas por brigadistas em estado crítico das praias e reservas naturais dos distritos de Ventanilla, na província de Callao e Ancón, em Lima.

As aves banhadas em óleo foram levadas ao zoológico Parque das Lendas, no distrito de San Miguel, em Lima, onde zoólogos e veterinários lutam para salvar suas vidas e remover o óleo de sua plumagem.

"Estamos fazendo um esforço incansável. Não é uma coisa comum isso acontecer e tentamos fazer o melhor que podemos", afirmou a bióloga Liseth Bermúdez, do Parque das Lendas.

As aves ficam em um ambiente especial e são cuidadas por veterinários que as banham com detergentes especiais para retirar o óleo. Além disso, eles as alimentam, aplicam medicina preventiva com medicamentos antifúngicos e antibacterianos e as hidratam.
Vista aérea de equipes de limpeza trabalhando para remover óleo de uma praia anexa à cidade de veraneio de Ancon, norte de Lima, em 22 de janeiro de 2022, após um derramamento ocorrido durante o processo de descarga do navio-tanque de bandeira italiana 'Mare Doricum' na refinaria La Pampilla causada pelas ondas anormais registradas após a erupção vulcânica em Tonga
(foto: Carlos Reyes/AFP)

"Esta (ave) que estamos avaliando agora não está tão encharcada, mas vimos que perdeu sua impermeabilidade, baixa condição corporal e está desidratada, por isso merece, como todos os animais, um controle veterinário, preventivo manejo com antibióticos, antifúngicos, hidratação e vitaminas", disse a veterinária Giovanna Yépez.

"Nunca na história do Peru se viu uma situação semelhante. Não há precedente para um tipo de derramamento na costa peruana. Não acreditávamos que seria dessa magnitude", acrescentou Bermúdez.

O biólogo Guillermo Ramos, do Serviço Nacional de Florestas e Fauna Silvestre (Serfor), alertou que, se a mancha de óleo avançar e as ações não forem tomadas rapidamente, pássaros e animais marinhos continuarão morrendo.

Ele indicou que esta semana os brigadistas da Serfor encontraram um número indeterminado de aves mortas e lontras marinhas nas praias e reservas naturais.

Reservas naturais

No Peru, mais de 150 espécies de aves dependem do mar para se alimentar e se reproduzir. As aves habitam os ilhéus, reservas naturais e ao longo da costa.

Juan Carlos Riveros, diretor científico da Oceana Peru, disse à imprensa que certos componentes do petróleo bruto, como os hidrocarbonetos aromáticos, podem afetar a reprodução dos animais e causar malformações embrionárias, especialmente em aves, peixes e até tartarugas.

Cerca de 6.000 barris de petróleo bruto foram derramados no mar no sábado, 15 de janeiro, enquanto um petroleiro desembarcava na refinaria La Pampilla, de propriedade da espanhola Repsol e localizada em Ventanilla, 30km ao norte de Lima.

Com cartazes que diziam "Repsol assuma a culpa" e "O crime ecológico não ficará impune" dezenas de pessoas de grupos de defesa animal, pescadores e demais cidadãos realizaram um protesto neste domingo em frente à empresa Repsol no distrito de Ventanilla.

"O enorme impacto ecológico deste derramamento é sem precedentes", disse um estudante.


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