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Estado de Minas NAIRÓBI

Possíveis cenários na Etiópia após anúncio de recuo dos rebeldes


27/12/2021 09:35

O anúncio de retirada, por parte dos rebeldes do Tigré, para seu reduto no extremo mais ao norte da Etiópia, renovou a esperança de paz, depois de 13 meses de guerra marcados por massacres e violações em massa.

Em um momento em que as forças leais ao primeiro-ministro Abiy Ahmed acumulam vitórias militares consecutivas e se vê o anúncio dos rebeldes como uma forma de esconder sua derrota no campo de batalha, as perspectivas de paz permanecem, contudo, incertas.

Confira abaixo a situação atual e os desafios para o país:

- Por que os rebeldes declararam retirada?

Oficialmente, a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) afirma que sua retirada das regiões de Afar e Amhara pretende abrir caminho para o fim das hostilidades, seguido do início das negociações de paz. A saída para Tigré é, porém, um duro golpe para a TPLF, que, no mês passado, ainda rejeitava os apelos do governo para deixar as duas regiões.

- Que fatores explicam a vitória militar do governo?

A Força Aérea é uma dos setores em que o governo sempre teve vantagem, mesmo quando a TPLF parecia estar em alta, obtendo ganhos territoriais que a colocaram a 200 quilômetros por estrada da capital do país, Adis Abeba.

Ao contrário dos rebeldes, as forças federais têm acesso aos aviões de combate e a drones armados que bombardearam Tigré nos últimos meses, graças ao acordo de cooperação militar firmado pelo governo em agosto com a Turquia.

- A guerra vai acabar?

Não exatamente. O governo anunciou na sexta-feira (24) que suas tropas não avançariam para a região do Tigré, mas advertiu que a decisão pode ser mudada, e um cessar-fogo, não declarado.

Caso se confirme, a trégua temporária dos combates pode ajudar a baixar a temperatura. Observadores próximos do conflito permanecem cautelosos, porém, sobre se declarar o fim da guerra prematuramente.

- Quais são os desafios potenciais imediatos?

A TPLF governou a Etiópia com mão de ferro por três décadas até a chegada de Abiy ao poder em 2018. Também travou uma dura guerra com a Eritreia nos anos 1990.

O conflito atual exacerbou as rivalidades étnicas com os Amhara - o segundo maior grupo étnico nacional -, particularmente cautelosos com os rebeldes e sua enorme força de combate, estimada em 250.000 membros.

A TPLF já pediu ao Conselho de Segurança da ONU que garanta a retirada das forças Amhara e das tropas eritreias da região, reivindicada por Amharas e tigrenses.

- O que a comunidade internacional pode fazer?

Apesar dos obstáculos, a possibilidade de interrupção dos confrontos criou uma pequena oportunidade de diálogo, com o objetivo de encerrar um conflito que deixou milhares de mortos e deflagrou uma grave crise humanitária.


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