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Estado de Minas PARIS

Macron entra na arena presidencial francesa sem confirmar candidatura


15/12/2021 21:34

O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu nesta quarta-feira (15) seu mandato em uma nova aparição midiática a quatro meses das eleições presidenciais francesas, que os candidatos já confirmados consideram uma campanha disfarçada do chefe de Estado, que ainda não confirmou a candidatura.

"Alguns estão em campanha, mas seu servidor, não", garantiu Macron durante uma entrevista de quase duas horas à emissora privada TF1, deixando vislumbrar, no entanto, seu desejo de se candidatar a um novo mandato de cinco anos, já que "nunca" pensou em poder fazer tudo em um só.

No entanto, o presidente de 43 anos avaliou que ainda não chegou a hora de confirmar se tentará ou não a reeleição, pois "em um momento no qual há muita agitação", em pleno repique de contágios de covid-19, talvez deva "tomar decisões difíceis ainda".

Pandemia, crise dos "coletes amarelos", reforma trabalhista... A entrevista repassou os principais acontecimentos desde que o líder liberal chegou ao Eliseu, em 2017. Macron reconheceu "erros" e assegurou "ter aprendido" com os franceses, aos quais disse "amar".

Além disso, o ex-ministro e ex-banqueiro tentou apagar a imagem de "presidente dos ricos" e atribuiu à sua "vontade de sacudir" o sistema suas frases polêmicas, como quando afirmou que nas "estações de trens, você cruza com pessoas que tiveram sucesso e pessoas que não são nada".

A entrevista, na qual Macron tentou mostrar seu lado mais humano - "Sou alguém muito afetuoso, mas que esconde isso" -, ocorreu dias depois de reforçar a imagem pró-europeia com que chegou ao poder, durante uma coletiva de imprensa sobre a presidência rotativa da União Europeia (UE).

Estas longas exibições midiáticas, às quais se somará uma nova entrevista na sexta-feira à rádio RTL, irritaram os candidatos já confirmados para as eleições presidenciais de abril, que denunciaram perante o regulador audiovisual uma campanha encoberta e "injusta" de Macron.

- "Presidente candidato" -

"É uma exibição de propaganda por parte do candidato", disse o deputado Éric Ciotti, do partido opositor Os Republicanos (direita), para quem o chefe de Estado francês tenta contrabalançar o avanço da candidatura do partido nas pesquisas.

Escolhida no começo de dezembro após a realização de primárias, a presidente da região parisiense, Valérie Pécresse, demonstrou um forte impulso nas pesquisas, algumas das quais a deram como vencedora em um segundo turno com Macron.

No entanto, as pesquisas continuam sem apontar um vencedor claro. Uma pesquisa da Harris Interactive, publicada nesta quarta-feira pela Challenges, dá o atual presidente como vencedor no segundo turno com 51% dos votos, mas por uma margem apertada sobre Pécresse (49%).

Esta última, procedente da ala moderada da outrora direita no poder, com um discurso liberal, mas duro em questões como segurança e migração, iria para o segundo turno, à frente dos ultradireitistas Marine Le Pen e Éric Zemmour, que manteriam suas posições.

Embora sem mencioná-los, o presidente francês não hesitou em atacar as promessas eleitorais de seus eventuais adversários, como a de Pécresse, de suprimir "quase 200.000" cargos de funcionários públicos, ou a do polemista Zemmour, de buscar a "migração zero" na França.

A respeito do islã, um dos temas preferidos da direita, Macron pediu que se evite fazer "um amálgama" entre os islamitas radicais e os muçulmanos que professam sua fé, respeitando as leis francesas. "O laicismo não implica o desaparecimento das religiões", afirmou.

O atual chefe de Estado, que condenou os "discursos de ódio" e defendeu o princípio da "autoridade", voltou a defender que se atrase a idade da aposentadoria com uma futura reforma previdenciária, que no entanto se recusou a aprovar durante o atual mandato.

"É um presidente candidato", que realizou "um número de autossatisfação", afirmou a respeito da entrevista Jordan Bardella, do partido de Le Pen. Zemmour criticou, por sua vez, o "balanço catastrófico" de Macron provocado, em sua avaliação, pela política migratória e econômica.


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