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Estado de Minas LA PAZ

Oposição bloqueia ruas da Bolívia em protesto contra o governo


11/10/2021 21:20 - atualizado 11/10/2021 21:25

A oposição boliviana bloqueou ruas das principais cidades do país nesta segunda-feira, em protesto contra o governo esquerdista do presidente Luis Arce, o qual voltou a afirmar que os adversários buscam criar condições "para um golpe de Estado".

A polícia respondeu dispersando pequenos grupos de manifestantes em La Paz e Cochabamba com gás lacrimogêneo, a um mês de Arce completar o primeiro ano de mandato.

Apoiado pelo ex-presidente Evo Morales, Arce enfrenta os primeiros protestos contra o seu governo, organizados por opositores que o acusam de promover julgamentos políticos e de tentar aprovar uma lei draconiana de investigação de fortunas.

As principais manifestações foram registradas em La Paz, Cochabamba (centro), Santa Cruz (leste) e Tarija (sul). La Paz observou uma grande passeata de sindicatos de comerciantes do varejo, que, embora não façam parte do bloco de oposição, rejeitam a "Lei contra a legitimação de lucros ilícitos e financiamento do terrorismo", em discussão no parlamento.

No centro da cidade, sede dos poderes Executivo e Legislativo, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar o fechamento de avenidas, e também houve ameaças de confrontos de rua com grupos pró-governo.

O chefe da polícia, Jhonny Aguilera, reconheceu que nas regiões de Cochabamba e Santa Cruz há "bloqueios esporádicos", que são monitorados, enquanto o ministro do Interior afirmou que no restante dos sete departamentos não há problemas.

- Governismo alerta para golpe de Estado -

O presidente Arce, 58, reprovou em evento público as manifestações, que, segundo ele, buscam desestabilizar seu governo. "A conspiração antidemocrática não foi derrotada definitivamente com as eleições do ano passado. Ela ergue a cabeça novamente, promovendo distúrbios e desunião entre os bolivianos, a fim de criar as condições para um novo golpe de Estado", afirmou.

O governismo afirma que o ex-presidente Morales sofreu um golpe em novembro de 2019, em meio à convulsão social que deixou 37 mortos e o levou a renunciar. Arce, que venceu as eleições com 55% dos votos, pediu aos povos do mundo "que fiquem alertas, porque a luta de um povo é a luta de todos os povos".

O projeto de lei criticado permitiria ao governo investigar o patrimônio de qualquer cidadão sem ordem judicial, e obrigaria advogados e jornalistas a revelar informações de clientes, entre outros aspectos. O advogado constitucionalista William Bascopé destaca que, segundo o texto proposto, os bens de todos os cidadãos ficam sob suspeita, em contradição com a "presunção de inocência", que deveria prevalecer.

Os manifestantes também denunciam uma "perseguição política", devido aos julgamentos criminais contra a ex-presidente de direita Jeanine Áñez (2019-2020), os prefeitos de La Paz, Iván Arias e de Cochabamba, Manfred Reyes Villa; o governador de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho; e os ex-presidentes Carlos Mesa (2003-2005) e Jorge Quiroga (2001-2002).

O governante Movimento ao Socialismo convocou para amanhã passeatas em todas as cidades do país.

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