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Estado de Minas GENEBRA

ONU dispensa grupo de especialistas que investigava abusos no Iêmen


07/10/2021 15:03

O Conselho de Direitos Humanos da ONU rejeitou, nesta quinta-feira (7), a prorrogação do mandato do grupo de especialistas que investigava as violações dos direitos humanos no Iêmen, decisão motivada, segundo ONGs, por pressões da Arábia Saudita.

É a primeira vez que o Conselho rejeita um projeto de resolução desde sua criação em 2006, segundo um porta-voz das Nações Unidas em Genebra.

A versão preliminar da resolução, que previa "estender o mandato do Grupo de Especialistas Internacionais e Regionais por um novo período de dois anos", havia sido proposta por países europeus e pelo Canadá.

Mas o texto foi rejeitado depois que 21 países votaram contra, 18 votaram a favor e 7 se abstiveram.

Várias ONGs já haviam denunciado esta semana uma tentativa da Arábia Saudita de bloquear a resolução.

Desde 2015, Riade lidera uma coalizão militar no Iêmen ao lado das forças pró-governo que lutam contra os rebeldes houthis.

"O povo do Iêmen é mais uma vez abandonado. Traído. Mais uma vez", reagiu no Twitter a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard.

O novo embaixador holandês na ONU, Paul Bekkers, lamentou que "com a votação de hoje, o Conselho (...) privou o povo iemenita desta tábua de salvação".

"A votação de hoje representa um grande fracasso, que levará a mais violência e sofrimento no Iêmen. Para ser claro, os Estados que votaram contra a renovação ou se abstiveram preferiram satisfazer a Arábia Saudita em vez de proteger a vida de milhões de pessoas", denunciou Jeremie Smith, representante em Genebra do Instituto de Estudos de Direitos Humanos do Cairo (CIHRS).

O diretor da Human Rights Watch (HRW), John Fisher, considerou que esta decisão representa "uma mancha no balanço do Conselho de Direitos Humanos da ONU".

A guerra no Iêmen causou dezenas de milhares de mortes e milhões de refugiados, sendo a origem da "pior crise humanitária do mundo" atualmente, segundo a ONU.

"Numerosos ataques desproporcionais contra civis ou alvos civis durante o ano passado podem representar crimes de guerra", comentou, por sua vez, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

"As partes em conflito continuam cometendo execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, atos de tortura", advertiu a líder chilena.

Bachelet lembrou ainda que 4 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas por causa da guerra, 83% delas mulheres e crianças.

"São necessários recursos urgentes em todos os setores para evitar uma fome em grande escala e apelo a todos os doadores para intensificarem seus esforços", acrescentou.


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