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Estado de Minas

Reino Unido prevê aumento de até 27% de cães abandonados nos próximos anos

Animais adotados durante a pandemia estão sendo devolvidos ou abandonados à medida que os donos voltam à rotina sem isolamento social


16/07/2021 18:56 - atualizado 16/07/2021 19:34

Após serem adotados, animais começam a ser abandonados (foto: Reprodução/ Pixabay)
Após serem adotados, animais começam a ser abandonados (foto: Reprodução/ Pixabay)
As mudanças da pandemia foram sentidas por todos os países, porém, alguns já estão voltando à rotina pré-crise e certos comportamentos de quarentena começaram a ficar no passado. Exemplo disso são as adoções de cães no Reino Unido, que explodiram em 2020, chegando a 'faltar' animais por tamanha procura.

Agora, porém, os donos que tanto queriam companhia, estão abandonando os pets ou devolvendo para abrigos. 
 
De acordo com o site de adoção de animais no Reino Unido, Pets4Homes, em maio de 2020 havia 400 pessoas para cada pet anunciado. Além disso, no ano passado as apólices de seguro para animais de estimação aumentaram 59%, segundo dados da LV= General Insurance. 
 
A versão de abrigos vazios começa a ficar no passado com a volta à rotina de trabalho presencial e outros compromissos do mundo sem isolamento.

De acordo com a instituição britânica Dog's Trust, entre agosto de 2020 e janeiro de 2021 houve um aumento de 41% no tráfego da web para sua página de doação de cachorros (chamada de Giving Up Your Dog).

Enquanto o abrigo de cães e gatos Battersea Dogs & Cats Home, também no Reino Unido, prevê um provável aumento de até 27% para cães abandonados nos próximos cinco anos.
 
Segundo a Dra. Tammie King, especialista em comportamento animal da Mars Petcare, os animais de estimação trazem uma série de benefícios para os humanos, incluindo o alívio da ansiedade e redução da sensação de solidão, por isso a busca por um pet cresceu em 2020.
 
Entretanto, o comprometimento necessário para cuidar de um cão não se encaixa completamente na rotina fora pandemia, o que deixa os animais estressados e com problemas comportamentais, por falta de atenção. 
 
"No início da relação tutor e pet, esse é um comportamento normal, mas para alguns pode não ser fácil de gerenciar. É preciso ter paciência e cuidado para treinar o cão a fim que a situação não volte a se repetir. Geralmente, os filhotes são mais curiosos e ficam ainda mais ansiosos com a possível separação do seu tutor após longos períodos juntos", afirma a especialista.

Proibição dos Estados Unidos

Outro problema que poderá contribuir ainda mais para a quantidade de animais abandonados em diversos países é uma medida do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, que proíbe a importação de cães de 113 países durante um ano, inclusive o Brasil. 
 
A medida, que passou a valer em 14 de julho, é para prevenir e evitar a circulação do vírus da raiva canina, pois, segundo o órgão, muitos animais chegaram ao país com certificados de proteção falsos durante a pandemia.

A regra vale para cães de estimação, de apoio emocional e cães guia. Podem entrar no país apenas os cães que já moram no território e saíram por um curto período.
 
Entre os locais proibidos de exportar animais, além do Brasil, estão os vizinhos Bolívia, Colômbia, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Além de outros americanos como Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras e Nicarágua. 
 
A proibição é temporária e para garantir que o vírus da raiva canina não circule nos EUA. O critério de escolha dos países foi baseado em regiões que possuem o vírus entre os animais, e portanto, podem ser arriscadas. 
 
Em nota para o Estadão, o CDC afirmou que "a raiva canina está eliminada dos Estados Unidos desde 2007. Esta suspensão protegerá a saúde e a segurança dos cães importados, evitando a importação de cães vacinados inadequadamente contra a raiva e proteger a saúde contra uma reintrodução da raiva canina". 
 
*Estagiária sob supervisão do editor Álvaro Duarte


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