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Estado de Minas WASHINGTON

Chanceler alemã se despede dos EUA com temas pendentes


15/07/2021 17:31 - atualizado 15/07/2021 17:42

Angela Merkel visitou nesta quinta-feira (15) a Casa Branca, na reta final de sua longa carreira como chanceler alemã, que a teve como pilar das relações transatlânticas, embora ela deixe temas pendentes, como as relações com a Rússia.

Merkel, que lidou com quatro presidentes americanos e que deixará o cargo ainda este ano, reuniu-se no Salão Oval com o colega americano, Joe Biden. Ela destacou a amizade com os Estados Unidos e sua contribuição "para uma Alemanha livre e democrática". Biden classificou Merkel como "uma grande amiga, uma amiga pessoal e amiga dos Estados Unidos".

O dia começou com um café da manhã na residência da vice-presidente, Kamala Harris. Ao saudar Merkel, Kamala classificou a carreira de sua convidada como extraordinária.

Durante o encontro, as duas tiveram "uma discussão franca e ampla sobre as ameaças e os desafios geopolíticos atuais e futuros. Concordaram com a necessidade de investir com urgência em instituições democráticas ancoradas no Estado de Direito", informou o gabinete de Kamala.

A Casa Branca insistiu em que se tratou de uma visita de trabalho, e não de uma despedida da chanceler, considerada a líder mais firme da Europa, e que está há quase 16 anos à frente da maior economia daquele continente. Merkel e Biden tinham na pauta temas como as mudanças climáticas, a distribuição de vacinas contra a Covid-19 e o futuro do Afeganistão, informou um funcionário do governo, que não quis ser identificado.

Como reflexo do papel central da Alemanha na Otan e na segurança transatlântica, os dois líderes planejam discutir "ataques cibernéticos e agressões territoriais" vindos da Rússia, o conflito da Ucrânia com Moscou e a "luta contra a crescente influência da China".

- Questões pendentes -

A Merkel, porém, resta pouco tempo para resolver alguns dos problemas que a Europa e os Estados Unidos enfrentam, entre eles o polêmico gasoduto Nord Stream 2, por meio do qual o gás natural russo será canalizado para a Alemanha.

O gasoduto não apenas contorna a Ucrânia, levantando preocupações de que Moscou esteja deliberadamente minando a economia de seu vizinho, mas também ressalta a dependência energética da Europa de uma Rússia cada vez mais hostil.

Apesar das fortes críticas ao Nord Stream 2, Biden renunciou em maio às principais sanções americanas contra o projeto, após concluir que era tarde demais para interromper seu avanço e que era melhor buscar cooperação com a Alemanha. Biden irá expor suas "preocupações", disse o funcionário do governo, mas não espera uma grande reação de Merkel.

O presidente dos Estados Unidos convidou o ucraniano Volodimir Zelensky à Casa Branca no final deste verão boreal. O Nord Stream 2 é uma das razões pelas quais Zelensky está ansioso sobre quanto apoio europeu pode esperar em relação à Rússia.

Por outro lado, a pegada do ex-presidente Donald Trump está bem marcada em Berlim. Os futuros líderes da Alemanha não têm certeza de que a substituição de Biden na Casa Branca não retornará à desorganização que caracterizou o governo republicano.

"A furiosa hostilidade de Trump forçou a Alemanha a examinar os aspectos poucos saudáveis de sua dependência dos Estados Unidos", escreveu Constanze Stelzenmuller, do grupo de reflexão Brookings Institution, no "Financial Times".


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