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Estado de Minas TRÍPOLI

Anistia Internacional condena tratamento a migrantes na Líbia com cumplicidade da Europa


14/07/2021 22:17

A Anistia Internacional (AI) condenou nesta quinta-feira o que chamou de "violações espantosas" contra migrantes levados de volta para a Líbia com a cooperação de países europeus após tentarem cruzar o Mediterrâneo.

Segundo a AI, há novas evidências de "violações hediondas, incluindo violência sexual, contra homens, mulheres e crianças" interceptados no mar e levados à força para centros de detenção na Líbia.

Um relatório da organização condena "a cumplicidade de Estados europeus", por cooperarem com as autoridades líbias. O texto observa que, no fim de 2020, a Direção Líbia de Luta contra a Migração Ilegal legitimou os abusos, ao assumir dois centros de detenção controlados por milícias, de onde centenas de refugiados e migrantes desapareceram à força.

O documento cita o depoimento de sobreviventes de um centro, que contaram como os guardas submetiam as mulheres a violência sexual "em troca da sua libertação ou de bens essenciais, como água potável". A Anistia pediu à Europa que suspenda "a cooperação migratória e de controle fronteiriço com a Líbia".

A Itália e a União Europeia (UE) financiaram, treinaram e forneceram ajuda à guarda costeira da Líbia para evitar que traficantes transportassem migrantes e refugiados em embarcações perigosas através do Mediterrâneo para a Europa.

Apesar de estar mergulhada no caos desde a queda do regime de Muamar Khadafi, em 2011, a Líbia se tornou uma plataforma para os migrantes que buscam uma vida melhor na Europa. Agências da ONU e ONGs que atuam no Mediterrâneo costumam denunciar as políticas europeias de retorno forçado de migrantes.

Diana Eltahawy, vice-diretora da AI para o Oriente Médio e o Norte da África, classificou o novo relatório da organização como "horripilante". "Isso joga luz sobre o sofrimento das pessoas recolhidas no mar e devolvidas à Líbia, onde são imediatamente colocadas em prisão arbitrária e sistematicamente submetidas a tortura, violência sexual, trabalho forçado e outros abusos com total impunidade", apontou.

Os países europeus "vergonhosamente continuaram permitindo e ajudando a guarda costeira da Líbia a capturar pessoas no mar para devolvê-las à força à prisão infernal na Líbia, apesar de saberem dos horrores que elas iriam enfrentar", criticou Diana.

Cerca de 900 migrantes morreram este ano tentando chegar à Europa a partir do Norte da África, segundo a Organização Internacional para as Migrações. De acordo com a ONU, a guarda costeira da Líbia devolveu mais de 13 mil pessoas ao país entre janeiro e junho, mais do que em todo o ano de 2020.


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