A Argentina se tornou o primeiro país a se pronunciar contra este tipo de produção industrial.
A norma visa a "assegurar a proteção, preservação e resguardo dos recursos naturais, tentando evitar um dano ambiental muitas vezes irreversível", declarou o legislador Pablo Villegas, impulsionador da norma.
A proibição do cultivo intensivo de salmonídeos abrange as águas jurisdicionais marítimas e lacustres da Terra do Fogo, Antártica e Atlântico Sul, uma província com população de cerca de 175.000 habitantes, afirmou o autor da norma, do Movimento Popular Fueguino, um partido local.
Só são autorizados o cultivo e a semeadura de trutas para fomentar a pesca esportiva, uma atração turística e não industrial, muito conhecida na região.
A salmonicultura é a semeadura e colheita intensiva de salmonídeos sob condições controladas para fins comerciais. Através desta técnica, originada na Noruega, os salmões são engordados em "jaulas flutuantes" localizadas em baías e fiordes em áreas costeiras em zonas com ecossistemas de águas frias e extremamente ricas em biodiversidade.
"A salmonicultura representaria uma ameaça para a economia da província, já que em Ushuaia metade das famílias dependem do turismo, uma atividade que não poderia conviver com o impacto ambiental da indústria", declarou David López Katz, integrante da campanha "Sem Azul não há verde", da Fundação ambientalista Rewilding Argentina.
"Esta lei é um exemplo do cuidado de um modelo econômico e produtivo sustentável, que respeita as tradições culturais e práticas artesanais que geram postos de trabalho genuínos", acrescentou.
O salmão é uma espécie exótica para a região, pois foi importada do hemisfério norte, e por isso o cultivo intensivo altera o ecossistema e mata o restante das espécies, afirmam seus críticos.
Em 2018, os então governos argentino e da Terra do Fogo assinaram convênios com a Noruega para abrir a possibilidade de desenvolver a salmonicultura no Canal Beagle.
"Hoje, Ushuaia (capital da Terra do Fogo) é protegida de uma indústria nociva, que gerou graves danos aos fiordes chilenos e impactou seriamente as comunidades locais durante décadas", acrescentou a organização ambientalista Greenpeace.
No começo de abril, o Chile, segundo produtor mundial de salmão, sofreu a mortandade de cerca de 5.000 toneladas de salmões, associada ao aparecimento de florações de algas nocivas, um fenômeno que provoca a redução do oxigênio dissolvido na água e a morte dos peixes por asfixia.
Isto já tinha ocorrido em centros de cultivo que se espalham pelas regiões de Los Lagos e Aysén, no sul do Chile.
Este episódio reacendeu os temores do lado argentino da ilha fueguina, onde ambientalistas realizaram uma ação para conscientizar sobre o problema, unindo em caiaques as cidades argentina Ushuaia e a chilena Puerto Williams em meio ao canal Beagle.
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BUENOS AIRES
Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, proíbe a salmonicultura
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